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Caminhar era seu meio de locomoção e o fazia, preferencialmente, sozinho. Por onde passasse despertava um misto de curiosidade e estranheza, reações essas que absolutamente o afetavam.

Pouco, ou quase nada, o entusiasmava naquele dia com ares de primavera embora ainda inverno.

Sua preocupação era como sensibilizar alguém, sem perder a dignidade, de que necessitava se alimentar, pois há muito não o fazia, lamentavelmente.

Fragilizado pela inanição, teria, de qualquer forma de encontrar uma forma de fazê-lo, e decidiu que seria pela exposição de seu problema.

As reações foram as mais variadas, umas jocosas outras evasivas, mas uma o incomodou pela agressividade e preconceito na negativa de atender seu pedido, e aconteceu quando ao se aproximar de um veículo para dialogar com quem o conduzia, foi recebido com uma saraivada de impropérios como se algum tipo de crime estivesse cometendo.

Não precisava tanto, bastava um não.

Alguém, ao presenciar a cena consolou-o dizendo-lhe que o maior flagelo da humanidade não é a fome... é a ignorância.

E neste aspecto, nada mais oportuno que um poema de Carlos Drummond de Andrade, “Os Pobres”, quando em uma estrofe, a última, ele diz:

“Estendo a mão com gravidade

Na hora de contribuir.

Não é meu dinheiro? É meu gesto.

Não salvo o mundo. Mas me salvo”

 

Carlos Roberto de Oliveira

 

 

Sua incredulidade transformava-se em indiferença ante uma realidade cuja única certeza era a da dúvida.Em um certo momento, pasmo, se autoquestionava se o que buscara em seu processo de formação pessoal, pela educação, teria sido a melhor escolha, tanto os desatinos de uma sociedade que se esmera em ignorar a condição do velho.

Surpreendentemente, sem comoção e até de certa forma comedida, assim reagiu a gente brasileira ante a eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo de futebol.