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Ao acordar, despertado que foi pelo som do rádio relógio, de chofre ouve que uma chacina de presos aconteceu no interior de um presídio no Estado de Roraima, após uma rebelião entre grupos rivais.  

Que noticia trágica logo ao amanhecer, repetindo outra ocorrida há poucos dias com outros presos, só que em Manaus, no Estado do Amazonas e com a mesma razão.

Ainda meio sonolento, desliga o rádio relógio e caminha em direção à sala onde liga a televisão. E para sua surpresa, o enfoque era o mesmo da noticia que ouvira há pouco pelo rádio, só que agora complementada com imagens e acrescida com noticias político/policiais.

Exaspera-se e, incontinenti, muda de canal, mas qual o que, tão igual ou pior, pois a pauta era a mesma.

Visivelmente incomodado, o apresentador lamenta os fatos então narrados e mostrados com riqueza de detalhes, e como que querendo dar uma trégua chama pelos comerciais.

E, entre outros apelos de venda de produtos, lá vem uma mensagem do supermercado Fartura com suas ofertas imperdíveis, a começar pela cerveja em lata “Loira Gelada” a R$ 1,20 a unidade, a vodca “Rasputin” a R$ 21,00 a unidade, e de quebra o sal grosso e o carvão que juntamente com a costela que farão seu final de semana mais feliz.

Voltando a programação normal, recomeça seu trabalho narrando um acidente havido em que uma senhora, já de certa idade, houvera sido atropelada por um carro cujo condutor estava sobre efeito de álcool.

Provavelmente alertado por alguém da produção do programa, mais do que rapidamente lembra aos tele-ouvintes para que, com moderação, não se esquecerem das ofertas do Supermercado Fartura...  

 

   

 

Carlos Roberto de Oliveira

Ao jovem não se deve negar o direito de sonhar, e àqueles que ousam levar adiante seus ideais, dos quais muitos deles são originários de seus próprios sonhos, merecem estes, no mínimo, ser ouvidos.

E como o Brasil, reconhecidamente, sofre já há algum tempo com a falta de lideres efetivamente comprometidos com sua gente de uma forma honesta, eis que, de repente, surge uma jovem adolescente, estudante, 16 anos, Ana Julia Ribeiro, encampando uma causa da qual acredita e, para isto, se põe, simbólica e incisivamente, contra o Estado por entender pertinente sua manifestação.

E ao fazê-lo, em um espaço considerado como a Casa do Povo, feriu suscetibilidades pela contundência de suas palavras.

E o que contestou esta jovem estudante? Simplesmente a sua não representatividade, por quem de direito, pela defesa de seus interesses individuais e coletivos e que estão voltados para a educação publica.

Afinal, se preocupar com a qualidade de ensino e, concomitante, com a possível retração de investimentos nesta área, é um ato de dignidade que deve ser considerado.

O mais importante, ainda, é sua ênfase quanto ao não envolvimento com qualquer movimento político/partidário, e, sim, com a política estudantil, fato este que lhe dá maior credibilidade em sua ação, fortalecendo-a mais ainda como cidadã.

Ah, os bons tempos de estudantes conscientes estão voltando.

Que saudades desse tempo.

Carlos Roberto de Oliveira

Lembrá-lo da passagem do tempo como forma de constrangê-lo ou aborrecê-lo, absolutamente o incomodava, mesmo porque, o que realmente lhe interessava era o desafio de viver o presente com a prerrogativa de continuar buscando razões que o auxiliassem a melhor compreender o processo da vida, questionando-a.

Para isto, necessário se fazia combater seus próprios demônios e não se deixar levar pelo niilismo, algo tão frustrante como a morte.

De sua existência, não tão significativa, e cuja valia pouco acrescentava, desenvolvera um conceito sobre algo que o atraia, a simplicidade.

Na contramão daqueles que fazem apologia da simplicidade utilizando-se de meios tacanhos, em que claramente expõem sua hipocrisia e dissimulação, contestava-os pelo embate do livre pensar, não aceitando seus princípios dogmáticos.

E enfatizava sua posição valorizando a condição da simplicidade como consequência da humildade e da busca do saber, algo dispensável para um mundo dominado pelo ter em detrimento do ser.

Para se atingir a simplicidade, não basta só o simplismo de ter, é preciso ser.     

Carlos Roberto de Oliveira

Em um ano eleitoral, nada mais oportuno que se reportar aos partidos políticos que, a rigor, são ou deveriam ser organizações cujo objetivo é o de agregar cidadãos que comungam de um mesmo ideal e por ele lutar.

Como seria bom se assim o fosse.

Na realidade, o sistema partidário brasileiro, salvo raríssimas exceções, é de um mercenarismo de causar inveja à Legião Estrangeira, tamanho o jogo de interesses envolvido, sem qualquer  tipo de comprometimento com programas ou ideologias.

Das amarras do bipartidarismo à oxigenação do pluripartidarismo, não soube o Brasil, embora todos os instrumentos disponibilizados, desde o Fundo Partidário à divulgação gratuita – pelo rádio e televisão – de suas doutrinas filosóficas e políticas, desenvolver  uma prática política que despertasse o envolvimento da sociedade na busca de ações efetivas para a solução de seus problemas.

Neste contexto, dispensável dizer que sobram partidos e inexistem idéias. São tantas as letrinhas que é mais coerente recorrer à pessoa que ao partido. Afinal, por que partido, se na frente estes se coligam uns com os outros para, na defesa de interesses corporativos, criarem o que chamam de “bancada” ou “frente parlamentar”.

E desta estrutura político/partidária, obviamente, não podem surgir lideres que venham representar a sociedade com idealismo e dignidade, dois substantivos em falta no meio político.

Não há, pois, como isentar de responsabilidade os partidos políticos pela descrença que o brasileiro sente por aqueles que os representam e que insistem naquela enfadonha e moderníssima proposta que, muito provavelmente, alguém já a tenha dito na velha Republica, e que diz: “Saúde”, “Educação”, “Segurança” e, bravo, a “casa própria”.

 

Carlos Roberto de Oliveira é empresário e motorista