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Difícil conciliar uma alegria circunstancial – proporcionada por um evento esportivo – com a cruel realidade de um país que teima em não querer assumir sua maioridade com a responsabilidade que deveria fazê-lo, comportando-se como um eterno adolescente que incapaz de dimensionar as consequências de seus equívocos, simplesmente os transfere para alguém em algum momento resolvê-los.

Nada contra as olimpíadas, mas tudo contra sua realização no Brasil.

O país não deveria ter pleiteado sediá-la, tantas são suas carências cujas soluções se arrastam pelo tempo.

O que se espera disto tudo é que, mais amadurecida, a sociedade brasileira se porte de forma mais participativa e incisiva na cobrança de ações que visem, sem retórica, tornar o Brasil definitivamente um país do presente, contestando a máxima de que não é sério.

Já com relação à Olimpíada, os jogos estão acontecendo, o Estado do Rio de Janeiro e a  cidade do Rio de Janeiro foram os grandes beneficiários dos investimentos efetuados e que contou, logicamente, com recursos do Governo Federal.

Neste aspecto, e mais especificamente quanto ao legado da RIO 2016 – este é o nome – o que esperar, após seu término, de benefícios às outras unidades federativas, incluindo-se seus municípios, mais diretamente no que corresponde ao usufruto de sua estrutura para a formação de mais atletas brasileiros que, embora não tendo o samba no pé, pedem passagem com seu carimbó, frevo, frevo, baião, milonga, vanerão, xote, fandango, xaxado e outros ritmos, para quem sabe, e dentro do espírito olímpico, aumentar o pífio rendimento do Brasil nos jogos propriamente ditos.

Carlos Roberto de Oliveira, é empresário e motorista

Levado por um sentimento de frustração ou até mesmo de revanchismo, consequência de carências sofridas no passado, tornara-se um possessivo e exacerbado competidor de um jogo por ele idealizado e cujo único resultado permitido era o de sempre ganhar.

Reunidos em grupos ou eventualmente sós, jovens se apresentam em cruzamentos de ruas e avenidas de cidades de médio e grande porte como que querendo soltar um grito de socorro por uma maior atenção às suas necessidades e expectativas.

E o fazem de maneira lúdica e artística, seja pela demonstração de suas habilidades como malabaristas ou na representação de algo.

E, logicamente, tentam arrecadar alguns trocados, pois, intrínseco, entendem ser uma atividade profissional ainda que informal, e que, nas circunstâncias, o é.

E sem qualquer constrangimento se expõem como que insinuando: “somos jovens, vivemos nossa época e o que pretendemos dizer é que somos capazes de sobreviver em harmonia com nossos sonhos, embora a crueza da realidade”.

Já pelo lado politicamente correto, enaltecem-se os avanços sociais que a rigor só ocorrem na propaganda oficial em detrimento da esperança, e a um custo altíssimo, lamentavelmente.

Carlos Roberto de Oliveira     

Visivelmente incomodadas, porém, e paradoxalmente, interessadas naquele lugar ficar, duas mulheres, acomodadas em um espaço visível de um calçadão cujo movimento e o vai-e-vem de pessoas se fazia intenso, ali  conversavam.

A cena tudo tinha a ver com o trágico e o cômico, pois, a rigor, não havia razão para que permanecessem tanto tempo naquela condição.

Ora com o semblante preocupado, ora com um ar de melancolia, conversavam ininterruptamente.

De que tanto falavam aquelas duas mulheres?

Intrigado, e sorrateiramente, um gajo se aproxima e, ouvindo o que diziam, diz para si mesmo: realmente, o vazio é um forte agente da solidão humana e, continuando com sua análise filosófica, acrescenta o seguinte comentário: “se deixar levar por detalhes estéticos que nem tão importantes são e nem justificam tanta preocupação”.   

E que preocupação seriam aquelas?

Simples, esquecidas e desamparadas dos olhares outrora envolventes, atribuíam o fato do desinteresse circunstancial ao avanço da flacidez abdominal de ambas.

Olhando uma para a outra, e não restando alternativa, decidem ir embora, mesmo porque a novela da vida continua e, quem sabe, algum papel na trama desta poderão ainda desempenhar.