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Sua incredulidade transformava-se em indiferença ante uma realidade cuja única certeza era a da dúvida.Em um certo momento, pasmo, se autoquestionava se o que buscara em seu processo de formação pessoal, pela educação, teria sido a melhor escolha, tanto os desatinos de uma sociedade que se esmera em ignorar a condição do velho.

Surpreendentemente, sem comoção e até de certa forma comedida, assim reagiu a gente brasileira ante a eliminação da seleção brasileira da Copa do Mundo de futebol.

Embora a preocupação com o momento que se vive esteja mais voltado para um realismo critico, o lirismo de uma bucólica tarde de um domingo de outono revertia totalmente essa percepção.

Lembranças o aprisionavam ao tempo passado e sem constrangimento a esse se curvava, dispensando inclusive projetar qualquer expectativa futura, por inócua.

Até os sonhos abandonara, ou por esses fora abandonado.

Não era uma revolta contra a vida, só uma constatação que tem, em Chaplin, uma verdade incontestável: “É sonhar em vão, tentar os outros iludir”...

Sentia-se bem, e totalmente à vontade em assim encarar seu cotidiano tendo por base essa diretriz, e mais, procurava no isolamento razões para criar seu próprio mundo, indiferente a qualquer colocação moralista, e não raras vezes, hipócrita.

Cansara de ser explorado, pois, salvo raras ocasiões, só era cobrado, como que só obrigações tivesse.

Enlouquecera? Talvez, só lamentava não ter tomado esta decisão há mais tempo.

E convicto, simplesmente concluiu que o sonho acabara, só restando o desafio de uma lamentável e triste realidade, que enfrentaria, sim, mas à sua maneira.

 

 

 

Carlos Roberto de Oliveira