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Em detrimento de idéias que possam despertar questionamentos para conscientizar pessoas sobre a realidade brasileira, o que se observa no Brasil, atualmente, é o esvaziamento da discussão dos problemas que efetivamente afetam sua gente, especialmente quando se priorizam debates em que a analogia do “Quem rouba agora” com o “Quem roubou antigamente” são colocações relevantes. Como se isto justificasse algo.

Em contraposição, está mais que na hora do Brasil, definitivamente, abdicar-se das práticas criminosas centradas no suborno (propina) - entenda-se corrupção - que de ignóbil e nociva ao povo não só deve mofar no ostracismo como ser combatida com veemência.

Está mais que na hora de colocar uma pá de cal nesta mentalidade simplista e retrógrada de rotulagem entre “nós” e ”eles”, pela clara manifestação de intolerância e oportunismo que isto representa.

Está mais que na hora, enfim, de se preocupar, com seriedade, numa forma de inserção social em que os instrumentos utilizados para esta finalidade valorizem o cidadão pela perspectiva de sua qualificação.

Está mais que na hora de combater a miséria, a doença, a escuridão e até a falta de esperança, pelo meio mais eficaz: o da Educação sem elitismo.

Com mais escolas, sem duvida, tudo melhorará.  

Utopia? Poder ser, mas válida.

O Brasil tem condições de reversão, é só não se especializar na tática obscurantista de não oferecer às pessoas o direito de procurar pelo saber e pelo discernimento.

Carlos Roberto de Oliveira

Impossível separar um sentimento do outro, pois ambos, o da revolta e o da comiseração, caminham juntos neste Brasil de todos os santos e de demônios mil.

A revolta, pela insensibilidade e, na maioria das vezes, cretinice de muitos que se propondo a desenvolver atividades publicas as confundem com interesses privados; já a comiseração pela conseqüência que este tipo de conduta traz para a sociedade com cenas aviltantes e desumanas de pessoas – em pleno século 21 e num país tão rico – buscando sua sobrevivência em latas de lixo, esmolando pelas ruas ou mesmo cometendo pequenos delitos.

Não sem tempo, o que se observa é que está havendo uma reação da gente brasileira mais conscientizada quanto à necessidade de se fazer uma reflexão crítica das razões deste desatino social.

E neste aspecto é que reside a esperança de mudança para uma sociedade um pouco mais justa, mercê de uma mentalidade que surge pela não concordância em transformar o trágico em algo sem importância, e com isto não continuar alimentando um tipo de comportamento que tem na mesquinhez e desfaçatez sua característica maior, e pior, até então institucionalizada.

O Brasil é viável, só precisa se auto-respeitar.

Carlos Roberto de Oliveira

Legado da Grécia antiga, a Ágora, nestes tempos modernos, tem na rede social pela INTERNET sua representatividade simbólica onde, embora sem a agudeza de espírito daquela época, o espaço que este meio de comunicação oferece cumpre, com toda certeza, com o papel de agente positivo de um processo que tem na livre manifestação de idéias e convicções das pessoas os insumos para a formação de uma mentalidade questionadora e participativa.

E graças a esta forma digital de interação, o que se observa como senso comum no Brasil, atualmente, é o despertar de um sentimento generalizado de indignação de sua gente pela crueza de uma realidade torpe em que se encontra o país, que, por razões abomináveis, não consegue se firmar como um Estado, embora sua vasta extensão de terra e seus mais de 200 milhões de habitantes.

De condicionamentos político/culturais o país está farto, e a rede social, pelas pessoas que dela participam, está a exigir um basta no romantismo barato de ações como “dar aos pobres roubando dos ricos”, ou a máxima de “levar vantagem em tudo” e a pérola do comportamento aviltado do “Rouba, Mas faz”.  

O Brasil de hoje quer crer que o ideal não é utópico, basta para torná-lo realidade, tão somente, ter [ética, que nada mais é que um conjunto de princípios morais que devem nortear condutas.

Para isto, é só pensar grande: priorizar a educação e acreditar que ela transforma.

Carlos Roberto de Oliveira

Com seus passos trôpegos, ora calçando algum tipo de calçado ora com os pés descalços, deixava por onde passava a marca de sua angustia, motivada pelo desdém de quem, com olhares e comentários, o discriminava por sua condição de penúria, como se isto crime fosse.

Consciente de sua situação de um quase excluído social, longe de se desesperar, alimentava mais fortemente um sentimento cuja razão de tê-lo o enobrecia: o da INDIGNAÇÃO.

Livre de qualquer constrangimento, mesmo porque não fazia sentido esta sensação, punha-se a coletar material que se prestaria, após sua reciclagem, a ser reaproveitado.

E o fazia com seriedade e dedicação. Era o que podia oferecer.

Era sua fonte de renda. Limpa. Só não contava com o apoio logístico do SEBRAE e nem com linhas de crédito publicas.

Não se tratava, pois, de resgate de sua dignidade, já que, independentemente das circunstâncias, a mantinha intacta.  

Revoltava-o, sim, o descumprimento da Constituição brasileira quando esta diz: “Ninguém deve ser submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante”.

Por ironia, ou cretinice mesmo, este descumprimento constitucional ocorre largamente no Brasil e é consequência de comportamentos mesquinhos de brasileiros travestidos de políticos – e parte da sociedade - que, indiferentes, não dimensionam o sofrimento de um povo que não pode contar com a saúde pública, com o ensino publico, com o transporte publico, com o investimento em infra-estrutura e, mais grave, com a falta de perspectiva, isto tudo em função do PODER. Argh !!!

 

Carlos Roberto de Oliveira