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Não conhece a Geely? Mas Mercedes e Volvo você conhece

Cecília França - Automobilidade
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Minha primeira cobertura de lançamento automotivo, em janeiro de 2014, foi do sedã EC7, da chinesa Geely, na cidade de Itu - onde a marca também inaugurou seu primeiro showroom no Brasil. Eu entendia pouco de como fazer um teste de direção, mas ressaltei, na matéria, o acabamento acanhado e a dificuldade de retomadas do importado chinês. Parecia um carro da década de 1990. Também comentei sobre o nada sóbrio logotipo da marca, nas cores preto, vermelho e dourado.

Logotipo nada sóbrio da Geely na época da chegada ao Brasil

 

Dois anos depois disso, a Geely (se pronuncia “díli”) deixou o Brasil, onde era representada pelo Grupo Gandini, com pouco mais de mil veículos emplacados. Provavelmente você nunca tenha visto um EC7 na rua, mas se você acompanha o noticiário de economia deve ter ouvido ao menos o nome da marca na semana passada. Isso porque a Geely, que já é dona da Volvo Cars desde 2010, tornou-se acionista majoritária da Daimler, dona da Mercedes-Benz, em uma transação de 9 bilhões de dólares.

Na verdade, as investidas da Geely, por meio de seu fundador, Li Shufu, foram muitas. Em dezembro do ano passado a montadora adquiriu 8,2% da Volvo Trucks, tornando-se, com isso, a maior acionista da AB Volvo (Volvo Group). A chinesa também é dona da Lotus - fabricante britânica de carros esportivos - e da London Taxi Company.

Poderio chinês

Os investimentos da Geely em montadoras e marcas estrangeiras refletem o poderio que os chineses vêm consolidando no mercado automotivo. Dona do maior mercado de automóveis do mundo, a China comercializou, em 2016, quase 25 milhões de veículos e a previsão é de que esse volume alcance 35 milhões em dez anos. Também em dez anos, por determinação do governo, 20% dos veículos vendidos em solo chinês devem ser híbridos ou elétricos.

Não é de se estranhar, portanto, que nove em cada dez releases que recebemos das montadoras anunciando investimentos em eletrificação incluam parceria com alguma empresa chinesa.

Veja exemplos:

- A Ford anunciou, em agosto do ano passado, uma joint venture com a Anhui Zotye Automobile Co., Ltd., fabricante de veículos elétricos na China, com o objetivo de desenvolver, produzir, vender e dar manutenção a uma nova linha de veículos elétricos de passageiros no mercado chinês.

Jin ZheYong, presidente da Anhui Zotye Automobile, e Peter Fleet, da Ford Ásia Pacífico

 

- No mesmo mês, a Aliança Renault-Nissan e a Dongfeng também anunciaram uma nova joint-venture para o desenvolvimento e venda de veículos elétricos na China.

- A Toyota planeja acelerar a popularização de veículos elétricos que utilizam bateria com mais de 10 modelos disponíveis no mundo, começando pela China, até chegar a outros mercados.

- Nesta semana, o BMW Group anunciou assinatura de carta de intenções com a fabricante chinesa Great Wall Motor a fim de produzir modelos MINI elétricos na China.

Tecnologia 

As alianças visam intercâmbio de tecnologias entre as montadoras e/ou empresas envolvidas, são vias de mão dupla: da mesma forma que as chinesas ganham com acesso a novas tecnologias, as “forasteiras” ganham know-how no mercado chinês. Já as aquisições, como as feitas pela Geely, visam apropriação.

Com a Volvo, a Geely tem acesso a plataformas de referência mundial em segurança e ao programa de condução autônoma da marca, um dos mais avançados do mundo. Sem falar na tecnologia de eletrificação, forte no âmbito da Volvo Trucks. Com a Mercedes-Benz, a chinesa acessará o que há de mais evoluído nesse segmento (a Mercedes já anunciou que, em 2022, terá versão híbrida ou elétrica para todos os seus modelos).

EQ Concept reflete o futuro elétrico da Mercedes

 

No Brasil, deu tudo errado para a Geely (e outras compatriotas). Mas, desde que saiu daqui, em 2016, a marca mudou seu logotipo, investiu em SUVs, ampliou exponencialmente seus investimentos e compartilhamento de tecnologias. Há rumores de que pode voltar a operar no mercado local com o fim das restrições para importados do Inovar-Auto.

Se assim for a vontade de Li Shufu, alguém duvida?

Novo logo da Geely é mais sóbrio e, digamos, apropriado para uma marca global
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