Foto: Patrícia Iunovich

Embora não se deixasse mais levar por olhares furtivos e escorregadios, não descartava, todavia, aqueles que lançados pela mulher indutora se insinuava a existência de uma comunhão de emoções determinado tanto pela energia recebida como pela transmitida.

E desta presunção, eis que surgia,numa espécie de aliada de sentimentos bloqueados, aquela que recém chegada – a primavera - começava a impor sua influência estimuladora na forma de renovação de expectativas, como que incentivando os valores da vida por meio de um relacionamento interpessoal cuja máxima era a indescritível leveza do ser.

E dentro desta premissa, fugindo do condicionamento mesquinho de um comportamento calcado no falso-moralismo embotador, eis que se transportou no tempo , lembrando-se daqueles velhos tempos da cafajestice marota, quando circunstancialmente havia o envolvimento emocional que se materializava na beleza das ações cujos cheiros se confundiam e sugeriam um whisky antes e um cigarro depois.

E sem qualquer problema de consciência.

E era primavera.

Carlos Roberto de Oliveira

 

Fotos: Patrícia Iunovich

Nada melhor para definir o Brasil de hoje que uma expressão de um personagem da sempre lembrada “Escolinha do Professor Raimundo” – o Patropi – quando dizia: “É pá de cá pá de lá, Sei lá, entende?

Faz todo sentido, pois num país onde tornozeleira eletrônica é símbolo de “status” e com a conotação de salvo-conduto, torna-se intrínseco, no conjunto de regras que determinam a moral vigente, sua inclusão como acessório indispensável.

E o que se observa, lamentavelmente, numa clara demonstração de inversão de valores, é a priorização pelo Estado brasileiro do ensino para o presidiário, sob a alegação de sua ressocialização, em detrimento do ensino publico decente para milhões de crianças e jovens que, não raras vezes, só terão acesso ao aprendizado e aos livros, infelizmente, numa situação igual no futuro, a prisão.

E neste contexto, tutelado por um grupo de parlamentares/legisladores de uma das casas do Congresso Nacional - a Câmara Federal - intitulado de “Baixo Clero”, onde os interesses corporativos são mais importantes, aliado a uma prática inacreditável de corrupção disseminada, vai se perpetuando, lamentável e desgraçadamente, a desesperança...

Até quando?

 

 

Na contramão do condicionamento ditado pela comunicação virtual, embora nada contra esta tivesse, procurava no dedo de prosa a forma de se reencontrar com o dialogo interpessoal.

E não o fazia por contestação, longe disto, mas sim, e tão somente, para invocar, pela palavra viva – dita e ouvida – sentimentos e emoções em cujas ações e reações não se denotassem a camuflagem de comportamento pela dissimulação.

Até se harmonizava bem com seu já velho aparelho celular, porém sem aquela dependência de alguém que já num estágio mais avançado só se satisfazia com as alternativas sofisticadas das redes sociais.

Tinha consigo que a tecnologia da comunicação é e sempre será bem vinda, desde que, obviamente, bem utilizada, pois realmente se presta a enriquecer o saber, todavia, jamais descartando, como determinante para uma melhor qualidade de vida, o DEDO DE PROSA.

 

Carlos Roberto de Oliveira

 

Em detrimento de idéias que possam despertar questionamentos para conscientizar pessoas sobre a realidade brasileira, o que se observa no Brasil, atualmente, é o esvaziamento da discussão dos problemas que efetivamente afetam sua gente, especialmente quando se priorizam debates em que a analogia do “Quem rouba agora” com o “Quem roubou antigamente” são colocações relevantes. Como se isto justificasse algo.

Em contraposição, está mais que na hora do Brasil, definitivamente, abdicar-se das práticas criminosas centradas no suborno (propina) - entenda-se corrupção - que de ignóbil e nociva ao povo não só deve mofar no ostracismo como ser combatida com veemência.

Está mais que na hora de colocar uma pá de cal nesta mentalidade simplista e retrógrada de rotulagem entre “nós” e ”eles”, pela clara manifestação de intolerância e oportunismo que isto representa.

Está mais que na hora, enfim, de se preocupar, com seriedade, numa forma de inserção social em que os instrumentos utilizados para esta finalidade valorizem o cidadão pela perspectiva de sua qualificação.

Está mais que na hora de combater a miséria, a doença, a escuridão e até a falta de esperança, pelo meio mais eficaz: o da Educação sem elitismo.

Com mais escolas, sem duvida, tudo melhorará.  

Utopia? Poder ser, mas válida.

O Brasil tem condições de reversão, é só não se especializar na tática obscurantista de não oferecer às pessoas o direito de procurar pelo saber e pelo discernimento.

Carlos Roberto de Oliveira