Impossível separar um sentimento do outro, pois ambos, o da revolta e o da comiseração, caminham juntos neste Brasil de todos os santos e de demônios mil.

A revolta, pela insensibilidade e, na maioria das vezes, cretinice de muitos que se propondo a desenvolver atividades publicas as confundem com interesses privados; já a comiseração pela conseqüência que este tipo de conduta traz para a sociedade com cenas aviltantes e desumanas de pessoas – em pleno século 21 e num país tão rico – buscando sua sobrevivência em latas de lixo, esmolando pelas ruas ou mesmo cometendo pequenos delitos.

Não sem tempo, o que se observa é que está havendo uma reação da gente brasileira mais conscientizada quanto à necessidade de se fazer uma reflexão crítica das razões deste desatino social.

E neste aspecto é que reside a esperança de mudança para uma sociedade um pouco mais justa, mercê de uma mentalidade que surge pela não concordância em transformar o trágico em algo sem importância, e com isto não continuar alimentando um tipo de comportamento que tem na mesquinhez e desfaçatez sua característica maior, e pior, até então institucionalizada.

O Brasil é viável, só precisa se auto-respeitar.

Carlos Roberto de Oliveira

Legado da Grécia antiga, a Ágora, nestes tempos modernos, tem na rede social pela INTERNET sua representatividade simbólica onde, embora sem a agudeza de espírito daquela época, o espaço que este meio de comunicação oferece cumpre, com toda certeza, com o papel de agente positivo de um processo que tem na livre manifestação de idéias e convicções das pessoas os insumos para a formação de uma mentalidade questionadora e participativa.

E graças a esta forma digital de interação, o que se observa como senso comum no Brasil, atualmente, é o despertar de um sentimento generalizado de indignação de sua gente pela crueza de uma realidade torpe em que se encontra o país, que, por razões abomináveis, não consegue se firmar como um Estado, embora sua vasta extensão de terra e seus mais de 200 milhões de habitantes.

De condicionamentos político/culturais o país está farto, e a rede social, pelas pessoas que dela participam, está a exigir um basta no romantismo barato de ações como “dar aos pobres roubando dos ricos”, ou a máxima de “levar vantagem em tudo” e a pérola do comportamento aviltado do “Rouba, Mas faz”.  

O Brasil de hoje quer crer que o ideal não é utópico, basta para torná-lo realidade, tão somente, ter [ética, que nada mais é que um conjunto de princípios morais que devem nortear condutas.

Para isto, é só pensar grande: priorizar a educação e acreditar que ela transforma.

Carlos Roberto de Oliveira

Com seus passos trôpegos, ora calçando algum tipo de calçado ora com os pés descalços, deixava por onde passava a marca de sua angustia, motivada pelo desdém de quem, com olhares e comentários, o discriminava por sua condição de penúria, como se isto crime fosse.

Consciente de sua situação de um quase excluído social, longe de se desesperar, alimentava mais fortemente um sentimento cuja razão de tê-lo o enobrecia: o da INDIGNAÇÃO.

Livre de qualquer constrangimento, mesmo porque não fazia sentido esta sensação, punha-se a coletar material que se prestaria, após sua reciclagem, a ser reaproveitado.

E o fazia com seriedade e dedicação. Era o que podia oferecer.

Era sua fonte de renda. Limpa. Só não contava com o apoio logístico do SEBRAE e nem com linhas de crédito publicas.

Não se tratava, pois, de resgate de sua dignidade, já que, independentemente das circunstâncias, a mantinha intacta.  

Revoltava-o, sim, o descumprimento da Constituição brasileira quando esta diz: “Ninguém deve ser submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante”.

Por ironia, ou cretinice mesmo, este descumprimento constitucional ocorre largamente no Brasil e é consequência de comportamentos mesquinhos de brasileiros travestidos de políticos – e parte da sociedade - que, indiferentes, não dimensionam o sofrimento de um povo que não pode contar com a saúde pública, com o ensino publico, com o transporte publico, com o investimento em infra-estrutura e, mais grave, com a falta de perspectiva, isto tudo em função do PODER. Argh !!!

 

Carlos Roberto de Oliveira

Ser jovem é uma dádiva, continuar com o espírito jovem no processo de mutações da vida é uma virtude.

E enfatizando este conceito, nada melhor que citar Mario Quintana quando diz: “A presunção – desculpável e até divertida nos jovens – é o maior sinal de burrice nos velhos”.

Lamentavelmente, e surpreendentemente gerado por alguém que tem que ter o compromisso com o equilíbrio, o jovem brasileiro foi escancaradamente discriminado por ocasião de um evento em que, comentando um fato envolvendo uma figura condenada em 1ª Instância – e que pela lei brasileira pode, efetivamente, recorrer em liberdade - o Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, assim se expressou: “Se nós devêssemos ceder a esse tipo de pressão, quase que uma brincadeira juvenil – são jovens que não tem a experiência institucional nem a Vicência institucional, por isso fazem esse tipo de brincadeira – se nós cedêssemos a esse tipo de pressão, os deixaríamos de ser o Supremo. Não se pode imaginar que se pode constranger o Supremo Tribunal Federal, porque esta Corte tem história mais que centenária. Ela cresce nesses momentos. Creio que hoje esse Tribunal está dando lição ao Brasil”.

Bem, Ministro, sinceramente, este tipo de lição não interessa mais à sociedade brasileira, tão desrespeitada em suas expectativas por uma melhor qualidade de vida e convivência entre irmãos de forma honesta,

E mais, pela história centenária lembrada, já deveria haver o necessário amadurecimento de quem representa um órgão do poder judiciário da dimensão do Supremo Tribunal Federal que, a rigor, tem a incumbência de proteger a Constituição do país, onde os jovens estão inseridos com os mesmo direitos e obrigações de um cidadão brasileiro.

Carlos Roberto de Oliveira