Lembranças o aprisionavam ao tempo passado e sem constrangimento a esse se curvava, dispensando inclusive projetar qualquer expectativa futura, por inócua.

Até os sonhos abandonara, ou por esses fora abandonado.

Não era uma revolta contra a vida, só uma constatação que tem, em Chaplin, uma verdade incontestável: “É sonhar em vão, tentar os outros iludir”...

Sentia-se bem, e totalmente à vontade em assim encarar seu cotidiano tendo por base essa diretriz, e mais, procurava no isolamento razões para criar seu próprio mundo, indiferente a qualquer colocação moralista, e não raras vezes, hipócrita.

Cansara de ser explorado, pois, salvo raras ocasiões, só era cobrado, como que só obrigações tivesse.

Enlouquecera? Talvez, só lamentava não ter tomado esta decisão há mais tempo.

E convicto, simplesmente concluiu que o sonho acabara, só restando o desafio de uma lamentável e triste realidade, que enfrentaria, sim, mas à sua maneira.

 

 

 

Carlos Roberto de Oliveira

Dos caminhos percorridos, e que não foram poucos, os que mais o motivaram a trilhá-los foram aqueles cujas bifurcações, geralmente secundárias, não tinham placas indicativas que o levassem a algum local estabelecido como se ideal ali existisse, algo assim como “Spa do Rejuvenescimento Eterno”, “Praia do Amor Perene e Infindo”, “Recanto da Felicidade Plena” ...

Levada pela intuição, algo inerente à mulher, Maria Luísa não disfarçava sua contrariedade ante uma situação que começava a intrigá-la, a calmaria doméstica.