Com seus passos trôpegos, ora calçando algum tipo de calçado ora com os pés descalços, deixava por onde passava a marca de sua angustia, motivada pelo desdém de quem, com olhares e comentários, o discriminava por sua condição de penúria, como se isto crime fosse.

Consciente de sua situação de um quase excluído social, longe de se desesperar, alimentava mais fortemente um sentimento cuja razão de tê-lo o enobrecia: o da INDIGNAÇÃO.

Livre de qualquer constrangimento, mesmo porque não fazia sentido esta sensação, punha-se a coletar material que se prestaria, após sua reciclagem, a ser reaproveitado.

E o fazia com seriedade e dedicação. Era o que podia oferecer.

Era sua fonte de renda. Limpa. Só não contava com o apoio logístico do SEBRAE e nem com linhas de crédito publicas.

Não se tratava, pois, de resgate de sua dignidade, já que, independentemente das circunstâncias, a mantinha intacta.  

Revoltava-o, sim, o descumprimento da Constituição brasileira quando esta diz: “Ninguém deve ser submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante”.

Por ironia, ou cretinice mesmo, este descumprimento constitucional ocorre largamente no Brasil e é consequência de comportamentos mesquinhos de brasileiros travestidos de políticos – e parte da sociedade - que, indiferentes, não dimensionam o sofrimento de um povo que não pode contar com a saúde pública, com o ensino publico, com o transporte publico, com o investimento em infra-estrutura e, mais grave, com a falta de perspectiva, isto tudo em função do PODER. Argh !!!

 

Carlos Roberto de Oliveira

Ser jovem é uma dádiva, continuar com o espírito jovem no processo de mutações da vida é uma virtude.

E enfatizando este conceito, nada melhor que citar Mario Quintana quando diz: “A presunção – desculpável e até divertida nos jovens – é o maior sinal de burrice nos velhos”.

Lamentavelmente, e surpreendentemente gerado por alguém que tem que ter o compromisso com o equilíbrio, o jovem brasileiro foi escancaradamente discriminado por ocasião de um evento em que, comentando um fato envolvendo uma figura condenada em 1ª Instância – e que pela lei brasileira pode, efetivamente, recorrer em liberdade - o Ministro Gilmar Mendes, do Supremo Tribunal Federal, assim se expressou: “Se nós devêssemos ceder a esse tipo de pressão, quase que uma brincadeira juvenil – são jovens que não tem a experiência institucional nem a Vicência institucional, por isso fazem esse tipo de brincadeira – se nós cedêssemos a esse tipo de pressão, os deixaríamos de ser o Supremo. Não se pode imaginar que se pode constranger o Supremo Tribunal Federal, porque esta Corte tem história mais que centenária. Ela cresce nesses momentos. Creio que hoje esse Tribunal está dando lição ao Brasil”.

Bem, Ministro, sinceramente, este tipo de lição não interessa mais à sociedade brasileira, tão desrespeitada em suas expectativas por uma melhor qualidade de vida e convivência entre irmãos de forma honesta,

E mais, pela história centenária lembrada, já deveria haver o necessário amadurecimento de quem representa um órgão do poder judiciário da dimensão do Supremo Tribunal Federal que, a rigor, tem a incumbência de proteger a Constituição do país, onde os jovens estão inseridos com os mesmo direitos e obrigações de um cidadão brasileiro.

Carlos Roberto de Oliveira

Com um olhar distante a mirar o vazio, se fazia acompanhar por uma angustiante indiferença a conferir-lhe um quê de contestação, nada parecendo importar ao seu redor.

Aquela aparente altivez, todavia, mascarava uma melancolia alimentada por uma frustração existencial determinada por algo inerente ao ser humano, a solidão.

Do local onde se encontrava, sentada em um banco de praça, podia observar grupos de pessoas, alguns sozinhos, aboletados em torno de mesas a beber e conversar alegremente e, aparentemente, imunes a qualquer tipo de preocupação que não fosse viver o momento.

Suas lembranças, de imediato, voltaram à baila e num repente, como que despertando de um sono letárgico dirigiu-se a um daqueles espaços e, sem qualquer constrangimento, ao avistar alguém que estava sozinho, a ele se reportou, e, esquecendo-se que a época era outra, perguntou-lhe: Paga uma dose, bem?...

 

 

O que se observa no Brasil, atualmente, embora ainda em uma proporção tímida, mas já representando algo de positivo, é que já há uma conscientização de sua gente quanto à necessidade de uma participação mais efetiva na luta por suas aspirações, eliminando-se, desta forma, aquela sensação de que o melhor caminho seria o aeroporto.

E isto tudo é reflexo de uma situação causada por desatinos que exigem, realmente, que se saia do casulo e se tente buscar, em 8.516.000 de quilômetros quadrados, um espaço que seja para que um universo de aproximados 200 milhões de brasileiros possam usufruir de uma riqueza que lhes é de direito.

E neste sentido, entre irritada e saturada de ouvir uma cantilena cujo tema é a corrupção, parte o brasileiro, comprometido com sua consciência, em prestar seu apoio àqueles que, em sua representatividade institucional, se propõem em acabar com esta tortura que só se presta a descaracterizar a identidade de um povo.

Neste aspecto, oportuno que se lembre a citação de um respeitado e ilustre brasileiro, Rui Barbosa, quando diz: “Justiça tardia nada mais é do que injustiça institucionalizada”.

Portanto, que se acelerem os processos...

Carlos Roberto de Oliveira