Em um ano eleitoral, nada mais oportuno que se reportar aos partidos políticos que, a rigor, são ou deveriam ser organizações cujo objetivo é o de agregar cidadãos que comungam de um mesmo ideal e por ele lutar.

Como seria bom se assim o fosse.

Na realidade, o sistema partidário brasileiro, salvo raríssimas exceções, é de um mercenarismo de causar inveja à Legião Estrangeira, tamanho o jogo de interesses envolvido, sem qualquer  tipo de comprometimento com programas ou ideologias.

Das amarras do bipartidarismo à oxigenação do pluripartidarismo, não soube o Brasil, embora todos os instrumentos disponibilizados, desde o Fundo Partidário à divulgação gratuita – pelo rádio e televisão – de suas doutrinas filosóficas e políticas, desenvolver  uma prática política que despertasse o envolvimento da sociedade na busca de ações efetivas para a solução de seus problemas.

Neste contexto, dispensável dizer que sobram partidos e inexistem idéias. São tantas as letrinhas que é mais coerente recorrer à pessoa que ao partido. Afinal, por que partido, se na frente estes se coligam uns com os outros para, na defesa de interesses corporativos, criarem o que chamam de “bancada” ou “frente parlamentar”.

E desta estrutura político/partidária, obviamente, não podem surgir lideres que venham representar a sociedade com idealismo e dignidade, dois substantivos em falta no meio político.

Não há, pois, como isentar de responsabilidade os partidos políticos pela descrença que o brasileiro sente por aqueles que os representam e que insistem naquela enfadonha e moderníssima proposta que, muito provavelmente, alguém já a tenha dito na velha Republica, e que diz: “Saúde”, “Educação”, “Segurança” e, bravo, a “casa própria”.

 

Carlos Roberto de Oliveira é empresário e motorista

Passados os efeitos da anestesia da RIO 2016, evento esse que, reconheça-se, surpreendeu positivamente pela organização e beleza demonstradas – não entrando no mérito se sua realização, no Brasil, foi oportuna – cabe agora ater-se à realidade brasileira cujo quadro se apresenta deveras conturbado e confuso.

E o que se constata, lamentavelmente, é que o Brasil necessita, decididamente e com urgência, recompor-se emocionalmente, tantas as demonstrações de desequilíbrio e pieguice de quem deveria comportar-se de forma mais compatível com sua representatividade publica.

Chora-se nas vitórias esportivas – mesmo quando se ganha medalhas – defesa e acusação, algo insólito, choram no plenário do senado federal em suas manifestações por ocasião do processo de impeachment da ex-presidente Dilma Rousseff.

Disto tudo, e reportando-se à RIO 2016, duas situações desta merecem menção pela importância de seu significado.

A primeira delas, e que deve ser veementemente repelida, se refere à INTOLERÂNCIA, pois jamais se deve recusar o cumprimento de alguém, mesmo sendo um adversário – político ou esportivo – como ocorreu com o atleta egípcio que se recusou em cumprimentar seu adversário. A segunda delas, e esta sim digna de registro e consideração, o gesto da atleta norte-americana que, abdicando-se da possibilidade de vencer uma prova esportiva da qual participava, optou por não continuá-la, preferindo ajudar uma adversária que se contundira durante a competição em que ambas participavam, demonstrando com isto que, além da valia da disputa, o mais importante é o espírito de SOLIDARIEDADE, que, diga-se de passagem, o Brasil está carecendo.  

 

 Carlos Roberto de Oliveira

Difícil conciliar uma alegria circunstancial – proporcionada por um evento esportivo – com a cruel realidade de um país que teima em não querer assumir sua maioridade com a responsabilidade que deveria fazê-lo, comportando-se como um eterno adolescente que incapaz de dimensionar as consequências de seus equívocos, simplesmente os transfere para alguém em algum momento resolvê-los.

Nada contra as olimpíadas, mas tudo contra sua realização no Brasil.

O país não deveria ter pleiteado sediá-la, tantas são suas carências cujas soluções se arrastam pelo tempo.

O que se espera disto tudo é que, mais amadurecida, a sociedade brasileira se porte de forma mais participativa e incisiva na cobrança de ações que visem, sem retórica, tornar o Brasil definitivamente um país do presente, contestando a máxima de que não é sério.

Já com relação à Olimpíada, os jogos estão acontecendo, o Estado do Rio de Janeiro e a  cidade do Rio de Janeiro foram os grandes beneficiários dos investimentos efetuados e que contou, logicamente, com recursos do Governo Federal.

Neste aspecto, e mais especificamente quanto ao legado da RIO 2016 – este é o nome – o que esperar, após seu término, de benefícios às outras unidades federativas, incluindo-se seus municípios, mais diretamente no que corresponde ao usufruto de sua estrutura para a formação de mais atletas brasileiros que, embora não tendo o samba no pé, pedem passagem com seu carimbó, frevo, frevo, baião, milonga, vanerão, xote, fandango, xaxado e outros ritmos, para quem sabe, e dentro do espírito olímpico, aumentar o pífio rendimento do Brasil nos jogos propriamente ditos.

Carlos Roberto de Oliveira, é empresário e motorista

Levado por um sentimento de frustração ou até mesmo de revanchismo, consequência de carências sofridas no passado, tornara-se um possessivo e exacerbado competidor de um jogo por ele idealizado e cujo único resultado permitido era o de sempre ganhar.