Alguém aí já dirigiu um carro elétrico? Eu tive esta oportunidade duas vezes até hoje: dirigi um Fusca elétrico desenvolvido por alunos da Universidade Tecnológica Federal do Paraná (UTFPR) e o BMW i3, primeiro elétrico vendido no varejo no Brasil.

O que mais chama a atenção nos carros eletrificados é a ausência de som no momento da partida. Fiz até um vídeo da partida do i3 na oportunidade, em 2015, chamando a atenção para esta característica. Veja abaixo.

 

Nos carros a combustão, girar a chave – ou apertar o botão – significa causar uma “explosão” dentro dos cilindros; nos elétricos este processo inexiste. Também não há progressão de torque, a liberação é imediata, resultando em respostas igualmente imediatas.

Diante disso, dirigir um elétrico é bastante prazeroso, e será cada vez mais comum nos próximos anos…na China. A gigante asiática impôs metas para a produção de veículos elétricos que terminarão por extinguir os carros novos movidos a combustíveis fósseis em alguns anos. No Brasil, ainda não se tem nada parecido e a infraestrutura precária deve atrasar, em muito, a disseminação desta tecnologia.

Como maior mercado de automóveis do mundo, a China tem atraído fabricantes de diversas partes do globo decididas a investir em energias alternativas em solo chinês. Não só por isso, mas também por isso, o Salão do Automóvel de Pequim (Auto China 2018) tem se mostrado o motorshow mais eletrificado do mundo.

Veja abaixo algumas das novidades mostradas no salão, afinal, esta é a tecnologia do futuro – ainda que mais distante para nós.

BMW iX3

A BMW apresentou no Salão do Automóvel de Pequim o Concept iX3, primeiro veículo da marca BMW movido exclusivamente a energia elétrica. O modelo é baseado no SAV médio X3, que conhecemos por aqui, e utiliza a quinta geração da tecnologia de tração elétrica BMW eDrive. O motor elétrico desenvolvido para o BMW Concept iX3 gera uma potência superior a 270 kW/ 270 cavalos e sua bateria de proporciona uma autonomia de mais de 400 km.

Nissan Sylphy Zero Emission

A Nissan está apresentando três veículos elétricos no Salão de Pequim, um deles é o Sylphy (o Sentra elétrico), que compartilha a mesma plataforma do LEAF, elétrico mais vendido do mundo. O Sylphy é equipado com tecnologias como Alerta Inteligente de Mudança de Faixa, Assistente Inteligente de Emergência, Alerta Inteligente de Tráfego Cruzado e Monitoramento Inteligente de Ponto Cego. O modelo será comercializado durante o ano de 2018.

Nissan IMx KURO

A Nissan é muito boa em carros conceito. Eles costumam ser muito bonitos, e o IMx KURO não foge à regra. Este crossover elétrico oferece aos visitantes do salão uma ideia do futuro da Mobilidade Inteligente da Nissan. Os recursos avançados do veículo incluem a exclusiva tecnologia Brain-to-Vehicle (do cérebro para o veículo), que intercepta e analisa as ondas cerebrais do condutor para melhorar os tempos de reação e melhorar o conforto de condução.

Byton Concept

Certamente uma das grandes atrações do salão. O Byton Concept tem uma tela de 49 polegadas no lugar do painel e controle por gestos e voz. No centro do volante, outra tela, de 8 polegadas, substitui o painel de instrumentos. Segundo o site Auto Esporte, o conceito está 85% pronto e será lançado com autonomia de 500 km com uma carga. A Byton foi fundada por ex-funcionários da BMWi, divisão de carros elétricos da marca alemã.

Sol E20X

Este SUV elétrico é resultado da parceria da Volkswagen com a chinesa JAC. Derivado do T40, possui autonomia de 300 km com uma carga. A imprensa especializada divulgou que o Sol E20X pode chegar ao Brasil. Esperamos que sim!

Fotos: Divulgação

Quando eu era repórter do extinto caderno Carro&Cia, da Folha de Londrina, mantinha uma sessão chamada “Teste do Leitor”. Eu saía às ruas e pedia a algum motorista que avaliasse rapidamente seu veículo com uma nota de 1 a 10, justificando o porquê. No dia seguinte, a avaliação era publicada em um pequeno espaço da página.

As notas 8, 9 e 10 eram frequentes, fossem para Palios ou Evoques. As justificativas, em grande parte, comuns: “Ele me leva para onde eu quero”. Pois eu me vi na condição de um dos meus leitores durante o curso de Jornalismo Automotivo que frequentei em São Paulo, nos dois últimos sábados.

Incitada pelo palestrante – o grande Sérgio Quintanilha, da revista Motor Show – a avaliar meu Renault Duster Dynamique 2014, de pronto cravei-lhe uma nota 7. Depois, de posse de uma lista com critérios técnicos, semelhantes aos utilizados pelas revistas especializadas, vi minha nota inicial cair para um triste 5,2.

A lista recebida me levou a analisar criteriosamente pontos como motor, câmbio, desempenho, multimídia, segurança, entre outros. Conjunto mecânico e desempenho fizeram meu Duster despencar ladeira abaixo. Outros colegas de curso viram o mesmo acontecer com seus Palios, HB20s e Agiles.

Meu Renault Duster Dynamique 2014

O objetivo da atividade era mostrar que avaliações profissionais, feitas por jornalistas especializados, não podem seguir critérios subjetivos, e sim, respeitar critérios técnicos.

Emocional

A verdade é que minha nota inicial só foi 7 porque acompanho o setor automotivo e entendo um pouco de carro; fosse cinco anos atrás, eu teria dado um 9 ou 10. O teste me levou a pensar sobre o quão cheia de subjetividade e emoção são essas avaliações (e nossa relação com nossos carros, de uma forma geral).

Embora eu saiba de todos os pontos positivos do meu Duster – como o amplo espaço interno, o porta-malas suficiente para toda a bagagem do meu filho e o bom navegador – também sei de suas carências – alto nível de ruído interno, baixo torque, ausência de itens de segurança, como isofix. Toda vez que o Sol reflete no MediaNav (multimídia) e impede a visibilidade eu me lembro de como ele é mal posicionado. Ainda assim, tenho uma relação emocional com meu carro.

O carro perfeito

E qual seria, então, o carro perfeito, segundo os critérios técnicos? Ele possivelmente não existe, mas um dos citados no curso como parâmetro a ser almejado foi o Audi R8, superesportivo equipado com motor 5.2 de 610 cv em sua versão Coupé V10 Plus.

A máquina: Audi R8 V10 Coupé Plus

Além de lindo, este Audi R8 faz de 0 a 100 km/h em cerca de 3,2 segundos, um foguete perto dos 13 segundos do meu Duster. Mas ele tem só 112 litros de porta-malas (não cabe nem o cadeirão de papá do meu filho) e é beberrão (esportivo, né?), faz cerca de 5,2 km/l com um litro de gasolina. E o parâmetro final: custa mais de R$ 1 milhão.

Sendo assim, eu não terei um Audi R8 para me levar aonde eu quero, então, pensando bem, eu devia mesmo era ter dado um 10 para o meu Duster…

*Quer brincar um pouco? A partir das tabelas abaixo avalie seu carro segundo critérios técnicos. Depois poste a nota dele aqui nos comentários!

 

Renault e Nissan mantêm uma aliança estratégica desde 1999. No Brasil, a francesa está comemorando 20 anos de presença enquanto a japonesa opera desde os anos 2000. Nestas quase duas décadas em solo tupiniquim, podemos dizer que, em 2018, as duas marcas vivem seu melhor momento.

O Nissan Kicks é o tipo de carro que dificilmente passa despercebido nas ruas, especialmente em uma de suas combinações ousadas de cores. Há algum tempo me chamou a atenção a quantidade de unidades do SUV nas ruas de Londrina e outras cidades do Norte do Paraná, o que foi explicado pelo ranking de vendas do mês de março, quando o Kicks assumiu a liderança do segmento de SUVs, ultrapassando Honda HR-V e até Jeep Compass. No acumulado do ano, os três ocupam a casa dos 12 mil emplacamentos.

Por parte da Renault, o Kwid foi a grata surpresa de março, assumindo a quinta colocação no top 10, com 6.454 emplacamentos. No trimestre, já foram 13.687 Kwids emplacados no País (nada mal para quem estreou no mercado em agosto de 2017).

O bom desempenho dos dois modelos repercutiu em aumentos importantes de share para as duas montadoras. De fevereiro para março, a participação de mercado da Nissan cresceu 1,2 ponto percentual, subindo de 4,3% para 5,51%. A Renault avançou de 7,84% para 8,3%. No acumulado do ano, as duas também ganharam. De janeiro a março de 2017, a Renault tinha 6,8% de share; no mesmo período de 2018, subiu para 7,52%. A Nissan cresceu de 4,16% para 4,61%.

Investimentos

Um concessionário Nissan me disse que a marca pretende abrir em breve o terceiro turno de trabalho na fábrica de Resende (RJ), possivelmente para ampliar a produção do novo March e do Versa, aguardados para este ano. Oficialmente, porém, a Nissan diz que isto “é uma pretensão, mas ainda sem previsão”. Inaugurada há quatro anos, a fábrica iniciou segundo turno de atividades para comportar a fabricação do Kicks em julho do ano passado.

Recentemente, a Renault inaugurou uma nova fábrica para a produção de componentes de motores no Paraná – estrutura prevista dentro do investimento de R$ 750 milhões anunciado no ano passado. Na oportunidade, porém, a marca condicionou novos aportes à aprovação do Rota 2030 (regime automotivo a ser anunciado pelo Governo Federal para substituir o Inova-Auto e aguardado desde o início do ano).

Possibilidades

Renault e Nissan têm desempenhos diferentes nos segmentos que mais emplacam no mercado. Enquanto a francesa performa bem no segmento de entrada com o Kwid, está sem um grande representante no de SUVs. Duster ficou comendo poeira desde o aumento de concorrentes na categoria e só deve ganhar nova geração em 2019; Captur não figura nem entre os 20 mais vendidos. É esperada para este ano a Alaskan, picape média que pode marcar a estreia da Renault no segmento, acima da Duster Oroch.

Já a Nissan está fora do páreo justamente no segmento de entrada. O March, que tem vendido pouco a despeito de suas qualidades, deve ganhar nova geração ainda este ano - bem como o Versa, sedã que tem um bom posicionamento em vendas, e também deve mudar (nova geração ou um facelift). Um possível SUV médio da marca também deve vir, mas importado.

Com representantes de volume em variados nichos, as integrantes da Aliança teriam tudo para despontar entre as maiores, como tem acontecido mundialmente. Em 2017, a Nissan foi a quinta montadora do planeta que mais vendeu veículos (5,1 milhões) e a Renault, a nona (2,6 milhões). Em share, isto representa 5,4% e 2,8%, respectivamente.

Tanto Renault quanto Nissan reafirmam sempre que possível seu carinho especial pelo Brasil. No caso da francesa, ainda maior pelo Paraná, que considera sua “casa” no País. Analisando bem, a Aliança deve mesmo ter um carinho especial por nós, afinal, proporcionalmente, ela performa melhor em solo tupiniquim. Somadas, as duas marcas representam 8% do mercado mundial; no Brasil, considerando o share do trimestre, respondem por 12,13%.

*Embora não tenha sido citada nesta coluna, a Mitsubishi passou a integrar a Aliança em 2016.

Acompanhem comigo os números de emplacamentos do Onix de janeiro a março deste ano: 16.058, 12.797 e 12.918. Na coluna anterior, chamei a atenção para estes números e para a queda na distância entre o Onix e os principais concorrentes - Ka e HB20 - no ranking de vendas, sugerindo uma suposta retração de mercado do modelo da Chevrolet.

Em números, esta retração foi real. Em janeiro, o Onix emplacou 8,4 mil unidades a mais que o Ka, segundo colocado; em fevereiro, a diferença caiu para 5,4 mil unidades em relação ao HB20 (lembram que ele e o Ka ficam se alternando na segunda posição?); em março a diferença para o modelo da Ford foi de 2,8 mil.

Porém, a queda do Onix parece ter sido ocasionada unicamente por ele mesmo, como me disse ontem o Gerente de Marketing de Produto da GM Mercosul, Rogério Sasaki. “Vocês devem ter visto na mídia que a gente teve uma parada de fábrica prevista em São Caetano do Sul (SP), ou seja, está faltando Onix”.

Rogério Sasaki, ontem, em Londrina

 

Sasaki esteve ontem no estande da Chevrolet (concessionária Metronorte) na abertura da ExpoLondrina 2018. A parada de cinco semanas a que ele se refere atingiu, ainda, as fábricas de Gravataí (RS) - de onde também saem Onix e Prisma - e de Joinville, que produz motores e cabeçotes. A produção do Onix ficou afetada durante duas semanas do mês de fevereiro e quase todo o mês de março, já que as atividades foram retomadas no dia 26 deste mês.

Com isso, os estoques foram consumidos e os concorrentes se aproximaram. “Nesse momento (a queda nas vendas) é uma limitação de produção, por conta de todos os investimentos que a gente anunciou que está fazendo”, diz Sasaki. As paradas foram feitas para inserir nas plantas conceitos da indústria 4.0 e fazem parte de um pacote de investimentos de R$ 4,5 bilhões anunciado pela GM para o período de 2014 a 2020.

“Uma marca líder sempre é ameaçada por todos e isso é saudável. Mas a gente está aí na liderança, como carro mais vendido não só do Brasil, mas da América do Sul”, afirma Sasaki, com a tranquilidade de quem está certo da retomada imediata dos patamares de vendas.

Falando nisso

Falando em ranking de vendas, o mês de março trouxe um movimento interessante. A grande surpresa ficou com o segmento mais visado do mercado atualmente, o dos SUVs, que tem novo líder: o Kicks. Com 5.532 emplacamentos, o SUV compacto da Nissan superou o Honda HR-V e até mesmo o Jeep Compass, líder em vendas em 2017. No acumulado do ano, os três modelos estão na casa dos 12 mil emplacamentos, mostrando que a briga vai ser boa.

 

O Chevrolet Prisma recuperou vendas e subiu da 9ª posição em fevereiro para a 4ª em março. O novo Polo continua com o posto de Volkswagen mais vendido do País, mas saiu do top 5, caindo da 4ª para a 6ª colocação em março.

Sedãs compactos

O Virtus, novo sedã da VW, dá sinais de estar sedimentando uma liderança no segmento, deixando para trás a dupla Chevrolet Cobalt e Honda City. O estreante emplacou mais de 3 mil unidades no mês enquanto os outros dois ficaram na casa dos 1,2 mil e 1,5 mil, respectivamente.

O Cronos, da Fiat, emplacou o mesmo montante que o Honda City, porém, uma vez que está oficialmente concorrendo no segmento de sedãs pequenos – liderado pelo Prisma e bem mais volumoso – e que ainda não teve mês cheio de vendas, foi apenas o 7º do segmento.

Acumulado

Os números acumulados dos três primeiros meses do ano mostram que será difícil para qualquer concorrente bater a liderança do Onix, que soma mais de 41 mil emplacamentos enquanto Ka e HB20 estão na casa dos 24 mil, disputando unidade a unidade.

Considerando que a tendência do trimestre se confirme, o novo Polo caminha para superar, definitivamente, o Gol em vendas. Ele ocupa a 4ª colocação no ano, com cerca de 1,5 mil unidades a mais que o irmão. O lançamento da VW é seguido de perto pelo Prisma, que busca se manter no top 5.

A Renault também deve estar satisfeita com o desempenho do Kwid, que está mostrando agora a que veio. O compacto com pinta de SUV ocupa uma honrosa 8ª posição no trimestre.

Já Mobi e Argo continuam com desempenhos aquém de suas possibilidades (ao menos o Argo, que talvez mereça uma revisão de preços), fazendo com que a Strada seja o único Fiat no top 10.