Mortes no trânsito equivalem a queda de 1 avião de passageiros por dia, compara Cesar Urnhani piloto do AutoEsporte

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Os 42 mil mortos por ano no trânsito brasileiro equivalem ao total de vítimas da queda diária, e sem sobreviventes, de um avião comercial no País. É como se, todos os 365 dias no Brasil, houvesse um acidente fatal com um avião das dimensões do Fokker 100, modelo de aeronave que caiu no Aeroporto de Congonhas (SP), há 22 anos.

 

A comparação foi feita nessa quarta-feira (15) pelo piloto do programa AutoEsporte, da Rede Globo, César Urnhani, no Cineteatro dos Barrageiros. Ele apresentou a palestra Carro Sob Controle, parte da programação da Semana Interna de Prevenção de Acidentes de Trabalho (Sipat 2018), da Itaipu Binacional

“Quando um avião cai é comoção nacional, e até mundial. Entretanto, o mesmo número de pessoas morre no trânsito diariamente e isso não chama tanto a atenção e nem mudar as atitudes de ninguém”, disse. 

Para chamar a atenção do público sobre a necessidade de uma direção preventiva e uma mudança de comportamento, o piloto fez outras comparações, como o valor gasto pelo Brasil com o atendimento a essas vítimas, na ordem de R$ 40 bilhões, e o investimento do País na Copa do Mundo de 2014. Ele lembrou que, na ocasião, o governo foi criticado pelo investimento. “A justificativa era que seriam investidos R$ 35 bilhões. Os acidentes de trânsito custam R$ 40 bilhões ao ano e pouca gente se movimenta contra [essa situação]”.

No entendimento de César, as mortes no trânsito são como uma epidemia, seja pelo número de vítimas fatais, de pessoas com sequelas ou pelo valor gasto com atendimentos. Na análise do piloto, a mudança deste cenário “depende apenas da atitude” de todos e de todas. “Vocês de Itaipu estão tendo tempo para repensar seus comportamentos. Seja um multiplicador dessa ideia”, recomendou.

Direção Preventiva

Embora muito se fale em direção defensiva, o piloto defende a adoção da direção preventiva, aquele em que o motorista, ao prestar atenção ao seu redor, escolhe não participar do risco. Este comportamento permite que se coloque em prática o método de gerenciamento de crises chamado de “IDA”: Identificar, Decidir e Agir. Para isso, o motorista, em hipótese alguma, deve utilizar um aparelho celular ao volante.

Outro alerta foi a respeito dos limites de velocidade das rodovias. Como exemplo, o piloto citou a necessidade de respeitar as placas de trânsito, que não são instaladas ao acaso. Antes de ser definido o limite da via, é feita uma série de estudos. Mesmo uma velocidade pouco acima da estabelecida pode ser fatal em caso de frenagem. “A desaceleração não é proporcional, mas exponencial e, leva em consideração uma série de variáveis, como peso do veículo, pneus, velocidade e estado da via”, explicou. 

A uma velocidade de 60 km/h, o veículo parará apenas seis metros após a freada. Cinco quilômetros mais rápido, a parada ocorrerá 20 metros adiante. Se a parada ocorrer para proteger um pedestre, a 60 km/h o carro poderá atingir a pessoa a uma velocidade de 5 km/h. Aos 65 km/h, o pedestre seria atingido a 32 km/h”, reforçou. 

Ele também fez o apelo para que todos usem o cinto de segurança, inclusive no banco de trás, medida importante para proteger inclusive quem está na frente. “Numa batida a 40 km/h, o passageiro do banco de trás é arremessado para frente e fica com um peso equivalente a duas toneladas. Quem aguenta um caminhão nas costas? É melhor exigir o uso do cinto para todos os passageiros”, justificou. 

Ao final, o piloto falou da importância do tempo, que não deve ser compensado com a alta velocidade nas pistas, mas gasto com quem se ama. “As pessoas correm porque acreditam estar perdendo tempo. Quando na verdade ao correr podem estar perdendo a própria vida”. 

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