Entrevista em 2011 com Márcio Bortolini: Motociclista iguaçuense abandona as pistas por falta de patrocínio

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A Revista Sobre Rodas publicou uma entrevista com o piloto iguaçuense, Márcio Bortolini, em 2011. Desde então, ele vem crescendo na modalidade e é atualmente Campeão do SuperBike Brasil com duas provas de antecedência. Em 2011, a vida do piloto não era muito fácil. Relembre a reportagem.

O administrador Márcio Bortolini, de 27 anos, poderia ser uma esperança iguaçuense nas pistas de motovelocidade brasileiras e até internacionais. Em 2008, disputou, na categoria 250cc, o Campeonato Brasileiro em Interlagos, maior pista de corrida brasileira. Também participou de outras corridas no Paraná e ganhou algumas medalhas, mas precisou deixar o esporte por falta de patrocínio. 

Ele tinha a moto e os equipamentos completos para competir como proteção, botas, luvas, macacão e capacete, mas não era suficiente. O sonho de chegar na categoria de 1000 cc precisou ser posto de lado.  “É um esporte caro, sem ajuda financeira é praticamente inviável. Por isso, fui obrigado a abandonar as competições”, relata. 

Apesar de não correr profissionalmente, Márcio, hoje empregado da Itaipu Binacional, continua treinando no autódromo de Cascavel e auxilia os pilotos que estão iniciando na carreira. 

A reportagem da Revista Sobre Rodas conversou com Márcio para saber detalhes da história deste jovem, mas já ex-piloto de corrida. 

SB: Quando você começou a correr?

MB: Em 2006 comecei a brincar no kartódromo de Foz do Iguaçu. Eu e mais alguns amigos andávamos nos finais de semana com motos de 125cc e 150cc. No mesmo ano, fizemos algumas corridas e eu acabei vencendo todas. A partir daí a paixão não parou de crescer.

SB: O que te incentivou?

MB: Sempre gostei de motos, tenho um amigo que foi preparador e piloto de motovelocidade na década de 80 e, conversávamos muito sobre motores, motos, corridas, etc. Quando comecei a correr no kartódromo e ganhar as corridas ele me incentivou. Dizia que levava jeito. A partir desta conversa comecei a pensar na ideia e quando vi já estava em Interlagos participando da minha primeira corrida como profissional.

SB: Foram quantos campeonatos?

MB: Em 2008, participei do Campeonato Brasileiro de 2008 em Interlagos, Santa Cruz do Sul, Campo Grande, Londrina e Cascavel. No ano seguinte, fiz apenas uma etapa do Brasileiro, desta vez, em Cascavel. Em 2010, já com problemas para conseguir patrocínio, participei apenas de 1 etapa do Campeonato Paranaense, também em Cascavel.

SB: Ganhou medalhas?

MB: Meu ano de estreia não foi dos melhores, tive muitos problemas: moto quebrava ou alguém me derrubava. Meu melhor resultado foi em 2008. Conquistei o 4º tempo no treino de classificação da corrida em Cascavel. Para mim, foi uma conquista. Estávamos em 42 atletas e dentre eles, os melhores dos Brasil. Mas, a sorte não estava muito ao meu lado, um competidor bateu em mim, sofri um acidente e acabei não conseguindo participar da corrida. Minha última disputa ocorreu em 2010 pelo Campeonato Paranaense em Cascavel, nessa etapa eu fiz a pole position e ganhei a corrida. 

SB: Por que parou de competir?

MB: O custo para competir é bastante elevado e, além disso, é difícil obter patrocínios. Em 2008, quando participei do campeonato inteiro, consegui apenas um patrocinador, a loja Dumond Racing do Paraguai. Eles me cederam o equipamento completo, porém faltou dinheiro.

SR: Quanto custa a vida de um piloto, além do uniforme? 

MB: Isso é muito relativo, e é um dos motivos que deixa o esporte um pouco desleal. Pilotos com ótimas condições financeiras chegam a gastar R$ 1 milhão por ano para andar no Brasil na Superbike, por exemplo. Na categoria 250cc, havia pilotos que viviam somente do esporte, ganhavam patrocínios e prêmios, o valor anual nesses casos girava em torno de R$ 100 mil.

SB: Você pretendia continuar disputando?

MB: Sim, tinha pelo menos a intenção de competir em 2010 pelo Campeonato Brasileiro, mas devido às dificuldades acabei desistindo.

SB: Onde pretendia chegar?

MB: Disputava na modalidade 250cc, mas a meta era a 1000cc (superbike). Cheguei a fazer alguns treinos com motos de 1000cc, porém não fiz nenhuma corrida profissional. Minha meta era ser campeão brasileiro de 250cc, para depois subir para 600cc, e só ir para 1000cc após ser campeão da 600cc.

SR: Nesse período sofreu algum acidente?

MB: Sim, tive duas quedas graves. Em ambas fui tocado por outro competidor e acabei caindo. Um delas foi no final da reta em Interlagos na entrada do S do Senna, caí a +- 180km/h, e a outra na famosa curva do autódromo de Cascavel (bacião), uma das curvas mais rápidas e difíceis do Brasil (minha opinião). O acidente foi a aproximadamente 150km/h.

SR:Você se machucou?

MB: Não. Graças aos equipamentos de segurança não é um esporte que machuca tanto quanto se imagina. Eu utilizava os mesmos dos pilotos do campeonato mundial de MotoGP, que chegam a atingir velocidades de 340km/h. O cuidado com a integridade dos pilotos é muito grande. 

SB: Você ainda corre por lazer?

MB: Sim, sempre faço treinos em Cascavel. Tem um pessoal de lá que organiza track days e dão aulas de pilotagem. Eles me fornecem uma moto e pagam minhas despesas, como contrapartida, ajudo a instruir os iniciantes passando técnicas de pilotagem tanto esportiva como de segurança.

 

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