Os viajantes chilenos e seu fotógrafo "anjo" de Foz do Iguaçu

Turismo
Typography

Contar a experiência de uma família que saiu da cidade de Caldera, no Chile, há 10 meses, com destino a Diamantina, na Bahia – quase 5 mil quilômetros - a bordo de um Lada Station Wagon 1980, já seria uma bela história para os leitores do portal. 

Aventureiros visitaram os atrativos turísticos de Foz

Mas além dos quatro viajantes: Miguel Vega, Maria Eugênia Encina e os filhos Âmbar Vega, de 11 anos, e Leftrero Vega, 14, essa aventura ganhou um quinto elemento: o fotógrafo iguaçuense Kiko Sierich. “Acho que ele foi nosso anjo”, disse Miguel à reportagem do portal Revista Sobre Rodas. A história da família e do fotógrafo se cruzou em agosto do ano passado e agora, em fevereiro, como que por destino.

Tudo começou quando os passaram por Foz do Iguaçu, em agosto, e pararam para tomar café da manhã. O fotógrafo, indo para o trabalho, se deparou com a cena, registou o momento e publicou as fotos nas redes sociais. Desde então, a família de chilenos deixou de ser anônima e a rotina de viagem mudou. “Viajamos durante o dia e, à noite, montamos nossa barraca em algum posto de combustível. Quando está chovendo dormimos no carro mesmo”, contou Maria Eugênia. 

Dia 10 de agosto, primeiro encontro entre o fotógrafo e a família de chilenos

Mas, as fotos de Kiko tiveram tanta repercussão que, em alguns lugares, chegaram a ser reconhecidos. “Às vezes percebemos um pouco de preconceito, pois vendemos nossos produtos artesanais para custear a viagem. Muita gente não nos quer por perto. Mas certo dia, uma moça falou: esses são os chilenos que estão viajando pela América Latina, de carro. Nos deixaram ficar”, contou.

Seis meses depois do encontro e mais de 10 mil quilômetros rodados, já de volta para casa, outra parada em Foz do Iguaçu. “Paramos para comprar um doce na mesma padaria e encontramos Kiko novamente. Só pode ser um anjo nas nossas vidas”, completou Miguel. 

Depois do encontro, Kiko convidou a família para passar mais um dia na cidade e conhecer alguns atrativos turísticos. Como a grana da família estava curta, o "anjo" se mobilizou e conversou com amigos. O resultado, os aventureiros  visitaram Cataratas do Iguaçu, Complexo Dreamland Foz, Parque das Aves e Marcos das Três Fronteiras. “A viagem toda foi muito boa, mas os passeios em Foz foram os melhores”, disse Âmbar. 

Agora, de Foz, a família retorna para Caldera. Mais 2,5 mil quilômetros. 

Kiko não saiu nas fotos com seus amigos aventureiros, mas fez questão de registrar o passeio

Aventureiros

Maria Eugênia e o marido Miguel sempre foram aventureiros. Eles viajam de carro há 15 anos. Na bagagem, passagens pelo Peru e Bolívia. Mas esta, foi a primeira vez com os filhos e também a mais longa. “Na verdade, saímos com o objetivo de morar em Diamantina. Uns amigos moram lá, mas não deu muito certo e resolvemos voltar para casa”, contou Maria Eugênia. 

Para eles, a experiência foi sensacional, mas ficaram alguns aprendizados. “Nossos filhos precisam estudar e escolher o que querem para a vida deles. Nós precisamos respeitar. Agora, vão estudar. E, o carro, acho que precisamos de um mais novo. Com mais conforto”, afirmou o casal.

Âmbar já sabe o que vai ser. “Vou trabalhar como joalheira, assim como meu pai. Ele produz peças em prata”, contou. O desejo ficou mais aflorado ao passar alguns dias em Ouro Preto, em Minas Gerais. Uma das cidades brasileiras mais tradicionais na produção de jóias.

Lada

Não é sempre que se vê um Lada 1980. Vamos tentar dirigir

A Lada foi criada na Rússia em 1960 e durante muitos anos teve muito sucesso. No Chile entrou em 1987, e foi uma das principais marcas no país por 10 anos. Em 1998 desapareceu, mas voltou ao mercado chileno em 2015 com Niva, modelo 4x4. 

No Brasil, a Lada foi uma das primeiras montadoras estrangeiras a chegar no país com a liberação do mercado pelo ex-presidente Collor, em maio de 1990. A expectativa era atingir 50 mil unidades por ano ou 6,5% do mercado nacional da época, mas não durou muito. No primeiro ano foram vendidas 15 mil unidades. O preço era competitivo. As vendas logo começaram a cair e a Lada deixou o Brasil no final da década de 90. No auge chegou a ter 126 lojas espalhadas pelo país. A justificativa é que os carros eram antiquados e não tinham qualidade. 

A expectativa que o Lada Niva, modelo 4x4, seja relançado no Brasil ainda este ano. Ele deve ganhar cidadania nacional, com possibilidade de ser feito em São José dos Pinhais (PR). O carro seria fabricado na fábrica da Renault, cuja a aliança mundial com a Nissan controla a AvtoVAZ, montadora russa proprietária da marca Lada.  

Confira as primeiras fotos: https://tinyurl.com/yb5abyxh

Agradecimentos especiais à Secretaria Municipal do Turismo, Complexo Dreamland Foz e Diego Allou, dono do Hostel Paudimar.

Texto: Abilene Rodrigues 

Fotos: Kiko Sierich

e-max.it: your social media marketing partner