Viver sem celular é possível? Iguaçuenses dizem que sim 

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Numa época onde pessoas estão desenvolvendo uma doença chamada namofobia, que vem do inglês “no more phone phobia”, que significa “medo de ficar sem telefone” ou incomunicável, e até depressão, por ficar tanto tempo nas redes sociais, a reportagem da Sobre Rodas conversou com três iguaçuenses totalmente alheios a esta tecnologia: o cirurgião dentista Marcelo Fava; a apresentadora, Magda Carvalho e, a secretária Andreia Cordeiro. Mas há muito mais. 

Marcelo e a esposa Sumaya

E embora haja mais celulares que brasileiros, no Brasil, estão ativos mais de 242,2 milhões de smartphones, segundo pesquisa da Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) - a média é de 1,16 para cada habitante – Marcelo, Magda e Andreia são unânimes ao afirmar que o não-uso desse aparelho, que desperta o interesse até dos bebês, não os impedem de exercerem suas profissões com perfeição, e, ainda, garante um comportamento muito incomum nos dias hoje: o calor humano. “Te garanto que somos mais felizes e estamos mais presentes”, defende Marcelo. 

Segundo ele, hoje, muitas pessoas marcam encontros com os amigos e até com namorado (a) ou esposa (o), mas quando chegam, ao invés de conversar, se divertir, estão mexendo no celular, conversando com quem não está presente. Acaba aproximando quem está longe e afastando quem está perto. “Se estou num lugar, estou ali. Com aquelas pessoas. Curtindo o momento. Acho que é uma forma de valorizar os amigos ou familiares”.

Andreia com o marido e os filhos

Opinião semelhante é de Andreia, mãe de três filhos. “Meu marido e minhas filhas tem. Às vezes estão todos em casa, mas ninguém conversa. Estão todos conectados. Isso ocorre até na faculdade. Dia desses estávamos em 10 alunos, oito estavam mexendo no celular enquanto a professora falava”.

Sem comunicação?

Marcelo afirma que nunca sentiu falta ou vontade de usar o celular, nem por isso, fica sem se comunicar. “Quando preciso falar com meus amigos ou minha esposa, ligo do telefone fixo. Eles ficam perplexos, pois ligo no Natal ou no dia do Aniversário. Ouço a voz das pessoas ao vivo”. Quando precisa de informações, ele acessa a internet via computador ou tablet.

O mesmo acontece com Magda. “Nunca deixei de fazer uma reportagem ou agendar alguma entrevista por falta de celular. Ficar sem celular põe a prova a nossa organização. Nunca deixei nem colega e nem cliente sem uma resposta. Eu utilizo outros métodos, como Facebook, por exemplo, mas pelo computador. Não sinto falta. Acredito que sou muito mais feliz”.

Andreia diz que as pessoas sabem onde a encontrar. “Durante o dia estou no meu trabalho. A noite estou na faculdade e depois em casa. Até comprei um aparelho, há alguns anos, mas minha filha pediu e acabei dando para ela”, contou.

A apresentadora Magda Carvalho

Existe vida sem WhatsApp?

Tanto para Marcelo, quanto para Magda e Andreia, diferente de outros 100 milhões de brasileiros que utilizam o aplicativo de conversas instantâneas, o Whatsapp é dispensável. “Nem consigo me imaginar participando de tantos grupos. Difícil uma mensagem construtiva”, diz Magda.

“Não tenho, mas sei que as pessoas vão te incluindo em um monte grupo. Te enchendo de mensagens. Muitas, que não edificam, mas desagregam. Acredito que sem celular sobra mais tempo para fazer as coisas que gosto. Como correr, ficar com a minha esposa, viajar, entre outros lazeres”, afirma Marcelo.

E com muito whatsapp?

Segundo a fundadora do projeto “Proteja seu filho na Internet”, Gracielle Torres, a vida com muito Whatsapp ou com redes sociais pode evitar a comunicação, provocar depressão, sobretudo, entre os jovens, e até levar ao suicídio”. 

Existe toda essa preocupação, porque há muito mais pessoas adeptas aos celulares e às redes sociais como Facebook, Twitter, Instagram e Snapchat.

Numa palestra realizada durante o 14º Congresso Latino-Americano de Software Livre e Tecnologias Abertas (Latinoware), realizado em Foz do Iguaçu, ela chamou a atenção dizendo que o Whatsapp tem sido o “caminho” mais rápidos para os criadores da ação criminosa “Baleia Azul” chegarem aos adolescentes.  “Os jovens acabam entrando no “jogo” por estarem ficando cada vez mais isolados da família e dos amigos”.

Gracielle Torres

De acordo com Gracielle, o comportamento social está mudando. Muitas famílias chegam a trocar mensagens dentro da própria casa. Amigos e até namorados preferem enviar uma mensagem a ligar um para o outro. E esse isolamento, no início, inofensivo, começa a provocar depressão. “As pessoas estão deixando de sair para conversar para ficar em casa conectados nas redes sociais”, alerta. E complementa: “A tecnologia, hoje absolutamente presente na vida das pessoas, não é prejudicial, mas sim o uso inadequado e desmedido que se faz dela. As crianças estão cada vez mais distantes do convívio social e esse isolamento pode ser muito perigoso”.

 

 Por Abilene Rodrigues

 

 

 

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