Março Mês da Mulher: Pioneira no motociclismo

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Há 20 anos, Daniele Valério se dedica ao universo das duas rodas, como empreendedora e entusiasta

Quando abriu sua primeira loja (de acessórios para motos), Daniele Valério poderia não saber, mas estava desbravando um mercado quase exclusivamente masculino. Comerciante de motocicletas Harley-Davidson em Londrina há quase 20 anos, a empresária foi pioneira também no movimento entusiasta das famosas motocicletas norte-americanas. Satisfeita com o atual momento do mercado, ela acaba de inaugurar a nova sede da Dani Motos, na Avenida Juscelino Kubitschek, justamente onde começou os negócios na cidade.

"Quando eu vim para Londrina eu montei a loja aqui em frente, mas durou pouco tempo. Depois eu fui para a Higienópolis, onde fiquei 15 anos, depois para a Avenida Maringá e agora voltei para cá. Eu dei a volta e voltei para a raiz", brinca.

Daniele viveu o período em que ter e manter uma Harley era caro e difícil, já que as motos norte-americanas eram raridade em solo nacional. Para manter o estoque da loja, ela precisava buscar motos em outros estados - como São Paulo, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Minas Gerais - e cidades, como Campo Grande.

"No início de tudo quase não tinha Harley no Brasil, dava para contar nos dedos no País inteiro", relembra. Ela mesma só comprou sua primeira no ano de 2004. Hoje tem duas: uma Sportster 883, 2002, e uma Heritage Classic 1998.

Daniele destaca que o mercado hoje vive outra realidade.

"Hoje em dia a gente trabalha muito na região porque tem muita Harley. Temos um estoque bom, é bem diverso", explica. "E Harley já foi cara, hoje tem modelos que começam com 20 mil reais", acrescenta.

A abertura da concessionária oficial da marca em Londrina, cerca de dois anos atrás, trouxe benefícios para os negócios, segundo a empresária.

"Foi ótimo, porque a concessionária vende moto zero e eu trabalho com seminovo, então, para mim só aumenta".

Curta o som da Heritage Classic carburada de Daniele:

Pioneira

Daniele é uma pioneira como empresária e como harleyra. Ela lembra que viveu o início deste movimento no Brasil quando trabalhou para uma empresa de São Paulo que promovia eventos itinerantes com motociclistas.

"Era onde as Harleys se concentravam e quem participa disso não tem como não se apaixonar, é muito viciante. Eu fui nos maiores eventos do Brasil e conheci as pessoas mais antigas do motociclismo", comenta.

Resistência

Como é de se imaginar, infelizmente Daniele enfrentou - e enfrenta - situações de preconceito por adentrar em uma área de domínio masculino.

"Todo dia me chamam de Daniel, ou então alguém liga e pede para falar com um vendedor. Já aconteceu até de falarem assim 'Não quero ser atendido por mulher, tem algum homem aí?'", relata.

Mas nada disso incomoda a empresária. "Eu não ligo. Pelo contrário, dou corda para me divertir".

Planos

Daniele já movimenta sua loja aos fins de semana com promoções de chopp e planeja unir o universo do motociclismo com o da gastronomia. Estudante da área, ela pretende criar uma cozinha dentro da loja para oferecer quitutes de sua autoria e de cozinheiros convidados. Ela também está organizando o espaço para fazer churrascos aos fins de semana.

Unir gastronomia e motos é mais uma grande sacada dessa inquieta empreendedora.

Cecília França

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