Outubro Rosa: Pacientes com câncer desfilam e mostram força no combate à doença

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Diante da usina iluminada de rosa e sob os olhares de quase 800 pessoas, 12 mulheres em tratamento contra o câncer de mama participaram de um desfile alusivo ao Outubro Rosa, na noite dessa segunda-feira, (22), no Mirante Central, da Itaipu.

A falta de cabelo e da mama, um dos órgãos mais femininos do corpo da mulher, não foram impedimento para que elas mostrassem toda feminilidade, beleza, vontade de viver e, sobretudo, força no combate à doença que mata quase 15 mil mulheres todos os anos no Brasil.

Também participaram do desfile dois meninos em tratamento contra Leucemia Linfoide Aguda: Pedro, de três anos passou pela passarela segurando a mão da mãe Cristiane. Já Murilo, de 7 anos, percorreu a passarela sozinho. Sem medo, assim como enfrenta a doença há 1 anos e 8 meses, com a ajuda da família.

Todos, sem exceção, emocionaram a plateia que retribuiu com muitos aplausos, abraços e flores.

O momento mais emocionante ficou para o final, quando Micheli Paula Pereira, de 32 anos, fechou o desfile, vestida de noiva. Ela recebeu do marido Diego e do filho Felipe, de 4 anos, um buquê de rosas.

“Nesse último ano, chorei quatro vezes. Quando aguardava o diagnóstico da biópsia, quando me olhei no espelho sem meu seio, após a primeira quimioterapia e hoje. Hoje foi de alegria extrema, embora nunca tive medo de morrer. Sabia que seria uma fase. Depois de um ano de tratamento, estou mais forte. Com mais vontade de viver”.

As mulheres também foram modelos de um ensaio fotográfico.

Pacientes no comando

A apresentação do desfile foi feita por Verônica Duarte de Melgarejo (na foto acima), da Itaipu. Mãe de três filhos, Verônica foi diagnosticada com câncer em outubro de 2012. Não foi fácil para ela, mas, como toda mãe, pensava mais no sofrimento dos filhos do que no dela própria. “Não queria ver meus filhos e meu marido sofrendo, por isso, procurava me manter forte. Acabei encontrando neles e nos colegas de trabalho a força necessária para vencer”, contou. 

Hoje, ela procura ajudar outras mulheres a também vencer a doença. “Fico emocionada a cada vez que vejo um evento como esse. De tudo que passei, tirei uma lição: é muito bom viver!”

Outra colega é Erna Fuchs, também da Itaipu, que descobriu o câncer em setembro de 2016. “Quando abri o resultado da biópsia falei: Senhor! Que porcaria é essa aqui?”, lembra com humor do momento de desespero. “Não chorei. Fiquei meio aérea por uns 15 minutos. Depois liguei para uma médica amiga, falei do resultado do exame e ela me acalmou”.

Apesar da ansiedade e do medo de não vencer a doença, uma fé gigante cresceu dentro dela. “Em momento algum achei que iria morrer. A notícia de um câncer abala a gente, primeiramente, o psicológico e, em seguida, o físico. O primeiro passo para a cura é amor próprio. Depois fé, aliada a um bom tratamento médico”, destacou. 

Prevenção, o melhor remédio

Antes do desfile, o público participou de um bate-papo no Cineteatro dos Barrageiros com seis especialistas sobre fatores de riscos, sintomas, como diagnosticar a doença e as formas de tratamento. O diretor administrativo da Itaipu, João Pereira deu as boas-vindas e chamou a atenção para a prevenção, considerada o melhor remédio. “Lembrem-se, um toque pode mudar tudo. Não se descuidem da saúde”, disse o diretor.

O psicólogo Werner Braga, da Itaipu, abriu o painel na mesma linha, mas reforçou: “apesar da marca Outubro Rosa, não devemos deixar para pensar no câncer de mama apenas durante um mês do ano, mas diariamente. Cada dia é crucial.”

Mágoa pode gerar câncer 

Segundo o médico radioterapeuta Víctor Evangelista da Silva, o câncer de mama é uma doença metabólica. Na maioria das vezes ocorre por três fatores: desnutrição, vício e conflito emocional. “Quase todas minhas pacientes tiveram algum conflito emocional ou perdas pouco tempo antes do diagnóstico”, disse. 

A nutricionista Lucia Abreu Texeira destacou ser preciso ter hábitos saudáveis, como alimentação balanceada, prática de exercícios físicos regularmente, manutenção do peso corporal e, evitar ou reduzir o consumo de bebidas alcoólicas. “Não há alimentos milagrosos, mas há alguns que ajudam a prevenir e a tratar o câncer. São os chamados antioxidantes.”

A patóloga Maria Luiza Cabañas León reforçou que câncer de mama é o que mais mata mulheres. Por isso, é preciso ficar atenta a qualquer alteração. Além do autoexame é imprescindível fazer a mamografia uma vez por ano. “Quem tem caso na família, é preciso redobrar a atenção. E fazer o exame pelo menos a cada seis meses”, alertou. 

O médico Miguel Antonio Aguero Pino chamou a atenção para os sintomas. “O nódulo é a forma mais comum de diagnosticar o câncer, mas ele também provoca secreção, dor e a pele fica parecida a casca de uma laranja”. 

O especialista em radioterapia, Rodrigo Vieira Barreto, por sua vez, acalmou a plateia. Segundo ele, os tratamentos estão cada vez mais eficientes e menos agressivos. Um exemplo é a própria radioterapia. “Hoje usamos tratamentos tridimensionais que permite planejar as irradiações de forma mais precisa.”

Para finalizar, a junta médica fez um chamamento: não é necessário esperar ir ao médico ou fazer a mamografia para saber se tem algum nódulo, é preciso se tocar, se conhecer e prevenir. Quase 90% dos casos são descobertos pelas próprias pacientes.

Organização

A atividade foi promovida pela Itaipu por meios dos programas de Equidade de Gênero (margem esquerda e direita) e Reviver, com apoio da Comunicação Social  e pela 1ª Regional de Saúde - Governo do Paraná, Fecomércio Paraná, Câmara da Mulher Empreendedora, Sindilojas de Foz do Iguaçu, Conselho da Mulher Empresária Executiva (Acifi), Mulheres Executivas (Mex), OAB Foz do Iguaçu, Sociedade Amigos da Marinha, Voluntárias Cisne Branco e Associação de Senhoras de Rotarianos (ASR).

Abilene Rodrigues

Fotos: Nilton Rolin

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