Embora não se deixasse mais levar por olhares furtivos e escorregadios, não descartava, todavia, aqueles que lançados pela mulher indutora se insinuava a existência de uma comunhão de emoções determinado tanto pela energia recebida como pela transmitida.
E desta presunção, eis que surgia,numa espécie de aliada de sentimentos bloqueados, aquela que recém chegada – a primavera – começava a impor sua influência estimuladora na forma de renovação de expectativas, como que incentivando os valores da vida por meio de um relacionamento interpessoal cuja máxima era a indescritível leveza do ser.
E dentro desta premissa, fugindo do condicionamento mesquinho de um comportamento calcado no falso-moralismo embotador, eis que se transportou no tempo , lembrando-se daqueles velhos tempos da cafajestice marota, quando circunstancialmente havia o envolvimento emocional que se materializava na beleza das ações cujos cheiros se confundiam e sugeriam um whisky antes e um cigarro depois.
E sem qualquer problema de consciência.
E era primavera.

Carlos Roberto de Oliveira
Fotos: Patrícia Iunovich



