Até Quando?, por Carlos Oliveira

Com seus passos trôpegos, ora calçando algum tipo de calçado ora com os pés descalços, deixava por onde passava a marca de sua angustia, motivada pelo desdém de quem, com olhares e comentários, o discriminava por sua condição de penúria, como se isto crime fosse.

Consciente de sua situação de um quase excluído social, longe de se desesperar, alimentava mais fortemente um sentimento cuja razão de tê-lo o enobrecia: o da INDIGNAÇÃO.

Livre de qualquer constrangimento, mesmo porque não fazia sentido esta sensação, punha-se a coletar material que se prestaria, após sua reciclagem, a ser reaproveitado.

E o fazia com seriedade e dedicação. Era o que podia oferecer.

Era sua fonte de renda. Limpa. Só não contava com o apoio logístico do SEBRAE e nem com linhas de crédito publicas.

Não se tratava, pois, de resgate de sua dignidade, já que, independentemente das circunstâncias, a mantinha intacta.  

Revoltava-o, sim, o descumprimento da Constituição brasileira quando esta diz: “Ninguém deve ser submetido à tortura nem a tratamento desumano ou degradante”.

Por ironia, ou cretinice mesmo, este descumprimento constitucional ocorre largamente no Brasil e é consequência de comportamentos mesquinhos de brasileiros travestidos de políticos – e parte da sociedade – que, indiferentes, não dimensionam o sofrimento de um povo que não pode contar com a saúde pública, com o ensino publico, com o transporte publico, com o investimento em infra-estrutura e, mais grave, com a falta de perspectiva, isto tudo em função do PODER. Argh !!!

 

Carlos Roberto de Oliveira

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