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Construção de hidrovias em rios paranaenses deve custar R$ 11 bilhões, aponta estudo

Um estudo da Universidade Federal do Paraná (UFPR) apontou que a construção de três hidrovias sobre os principais rios paranaenses – Paraná, Ivaí e Paranapanema – para escoar toda a produção regional tanto dentro do Brasil como para outros países deve custar R$ 11,1 bilhões. O investimento se pagaria em 15 anos.

A construção desse modal foi defendida durante o 1º Simpósio de Transporte e Logística para o Desenvolvimento Regional (Simtralog), que aconteceu na sexta-feira (19), na Universidade Tecnológica Federal (UTFPR), em Toledo. As hidrovias seriam uma forma barata para atender o setor agroindustrial, que cresce mais de 10% ao ano no Oeste do Paraná.

Promovido pela Câmara Técnica de Infraestrutura e Logística do Programa Oeste em Desenvolvimento (POD), que tem a Itaipu como uma das empresas apoiadoras, o simpósio reuniu cerca de 200 pessoas, entre professores, pesquisadores, empresários e estudantes, com atividades práticas e teóricas. Além das hidrovias, foram debatidos temas como legislações dos portos seco, engenharia de transporte e mobilidade urbana.

Pelo rio

Um dos defensores da hidrovia como modelo viável à exportação de produtos agrícolas e importação de insumos foi o professor da UFPR Carlos Nadal, responsável pelo estudo “Viabilidade Técnica, Econômica e Ambiental (EVTEA) da Hidrovia Paraná-Paraguai”. Outra aposta seria o uso interno para o transporte de cana, milho, derivados de petróleo entre os estados do Paraná, São Paulo, Mato Grosso e Mato Grosso do Sul. 

Segundo ele, se construída a hidrovia Paraná-Paraguai, Foz do Iguaçu poderia se tornar um centro de distribuição de cargas da região. O comércio com a Argentina seria intensificado, além de outros países por meio do Oceano Pacífico.

“E um porto nesta região seria muito mais movimentado que o de Paranaguá. O de Corumbá, no Mato Grosso, movimenta cerca de U$ 500 milhões por ano. A hidrovia chamada de Paraná-Paraguai teria 3.442 quilômetros de extensão. Sairia de Cáceres no Mato Grosso e terminaria em Nova Palmira, no Uruguai.

Setor privado

O presidente do POD, Danilo Vendruscolo, destacou que a região tem um potencial logístico extraordinário, mas que até hoje não foi explorado e permanece refém de apenas um modal, o rodoviário que é caro e perigoso. Para ele, este sistema está adormecido e a iniciativa privada deveria colocá-lo para funcionar.

“Nós precisamos reduzir os custos dos nossos produtos, mas utilizando apenas o transporte rodoviário não será possível. Acredito que a hidrovia é o modelo mais rápido e barato para resolver os gargalos do Oeste”, disse Vendruscolo.  De acordo com o estudo de Nadal, um comboio de carga nos rios retira em média 1.500 caminhões das rodovias, diminuindo o número de acidentes e mortes e, melhorando as condições ambientais.

Oeste em Desenvolvimento

Lançado em 2014, o Programa Oeste em Desenvolvimento é uma iniciativa que reúne mais de 60 instituições como a Itaipu Binacional, o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), o Sebrae/PR, o Sistema Cooperativo, a Caciopar, a Amop, a Emater e a Fiep.

O programa tem como objetivo promover o desenvolvimento econômico sustentável do Oeste do Paraná por meio de ações integradas. Ele atua nas áreas de Infraestrutura e Logística, Pesquisa e Desenvolvimento, Crédito e Fomento, Capital Social e Cooperação, e Energias Limpas e renováveis.

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