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“O Palio deixa muito orgulho para a gente”, diz engenheiro que participou da concepção do compacto

 

O engenheiro eletricista Sylvio Brito vivenciou todo este processo. Ele fez carreira na Fiat e participou diretamente da concepção do Palio. Entre 1992 e 1996, dividiu-se entre Brasil e Itália para acompanhar o andamento do projeto. Depois, Brito migrou para a área de marketing da montadora e hoje é gerente comercial na Fiat Marajó, concessionária da marca italiana em Londrina.

Nesta entrevista à Sobre Rodas ele comenta a aposentadoria do Palio e o novo momento da Fiat no mercado.

 

Você participou do início, como foi o processo de criação do Palio?

O Palio foi o carro da virada da Fiat para a liderança de mercado. Ele veio com a responsabilidade exatamente de alçar a Fiat a essa patamar e desde o início a gente sabia que ele ia alcançar, porque foi um carro trabalhado desde 1992 (e concebido em 1996), projetado realmente para ser um divisor de águas no mercado. Com a chegada do Palio, a concorrência inteira mexeu em seus modelos porque ele chegou em um nível tecnológico e de design muito acima dos concorrentes.

 

O Palio antecipou tecnologias hoje obrigatórias, como freios ABS e airbags frontaisEle marcou época no Brasil…

Ele foi feito no Brasil, mas foi um lançamento mundial, o primeiro carro mundial da Fiat lançado fora da Itália.

 

Pensado para o brasileiro?

Pensado para o brasileiro e lançado em uma plataforma nova que poderia ser produzida em qualquer lugar do mundo. E foi o carro da grande virada.

 

Na época, a Fiat já tinha o Uno, que era um sucesso, carro querido de muita gente, o que o Palio acrescentou de tecnologia?

A linha de produção da Fiat no Brasil começou com a linha 147, depois Elba – todos carros foram muito revolucionários no seu tempo. Com a chegada do Uno o que aconteceu é que a gente foi para um patamar de tecnologia, de economia e de desempenho que a gente não tinha. Então, com o Uno a gente já conseguiu conquistar boa parte do mercado e a chegada do Palio trouxe a grande mudança, porque como ele veio numa plataforma mundial, já veio com barra de proteção nas portas, com estrutura de deformação no caso de colisão frontal (que protegia o cockpit), então assim, o Palio veio numa concepção muito além da época. Ele chegou, vamos dizer assim, cinco, seis anos antes da concorrência. Então, por isso o Palio realmente causou esse impacto todo. E ele criou uma família, que foi o Palio, o Siena e a Weekend, todos líderes de mercado nos seus segmentos.

 

 

Por que o Palio sai de linha agora?

Porque é necessário, você precisa renovar, isso é da indústria automobilística. Os carros têm um final de ciclo. Se a gente for citar os carros da concorrência, o Opala foi um grande mito e acabou, a Kombi foi um grande sucesso, acabou, então, faz parte, é exigência do consumidor. O Palio tem condições de continuar rodando hoje? Perfeitamente. É um carro que atende todos os requisitos legais de segurança, só que o Argo e o Cronos, que chegaram agora, estão em patamares muito superiores de eficiência energética, de eficiência de produção, redução de custo de estrutura, e conseguem entregar ainda mais tecnologia para os clientes – como sensor de estabilidade, sensor de tração. Estas são todas tecnologias das quais não dá mais para abrir mão, então precisava sair da plataforma do Palio para uma mais avançada.

 

Qual o espaço do Mobi nessa história?

O Mobi é um city car. Pode pegar estrada com ele? Pode. Mas é um carro que tem porta-malas e espaço interno menores. Foi concebido para o dia a dia, para buscar a criança na escola, para o deslocamento para o trabalho, para uma viagem até duas, três pessoas. Por que eu tenho o Mobi e o Argo hoje? O Argo é um carro em que você consegue viajar com cinco pessoas e levar as malas, tudo que você precisa; no caso do Mobi, ele consegue te atender, mas se você colocar cinco pessoas nele, onde vão as malas? Só que em 80% da utilização dos carros no Brasil a pessoa não utiliza o porta-malas, então o Mobi é a grande sacada, assim como o up! da Volkswagen. É uma solução inteligente para o transporte urbano e para uma família menor.

 

Como você se sente com a aposentadoria do Palio?

É muito tranquila essa situação. Ele foi um carro vitorioso, entrou para a história como um dos veículos mais vendidos do Brasil. Ele cumpriu muito bem toda a missão dele, igual ao Uno, que saiu de produção e toda hora a gente recebe gente aqui na loja dizendo o quanto esse carro é bom, não quebra, e o Palio da mesma forma. Então a gente vê com muito orgulho, porque foi um carro que cumpriu sua missão e deixou uma imagem maravilhosa, alçando a Fiat de um patamar de terceira, quarta colocada no mercado e colocando em primeiro.

E é o que vai acontecer com o Argo e o Cronos agora, que são dois carros que chegaram e sacudiram o mercado. A  concorrência toda está mexendo nos carros delas, porque eles vieram em patamares muito superiores. Isso faz bem para a indústria, que vai desenvolver novas tecnologias e novos produtos. Isso é cíclico. A aposentadoria do Palio deixa muito orgulho para a gente.

Sylvio Brito ao lado do Cronos, novo sedã da Fiat

Cecília França

 

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