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Oeste em Desenvolvimento pede agilidade na ampliação da Ferroeste

O Programa Oeste em Desenvolvimento (POD) encaminhou uma carta ao Governador do Paraná, Beto Richa, solicitando agilidade na publicação do Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) que selecionará a empresa responsável pelo estudo de ampliação da Estrada de Ferro do Oeste do Paraná (Ferroeste).

A necessidade de aumentar a ferrovia em pelo menos mais mil quilômetros (hoje tem 250 km) voltou a ser tema central da reunião de coordenação do Oeste em Desenvolvimento, nesta terça-feira (18), na sede Associação Comercial e Industrial de Cascavel (Acic). O POD atuará para que a região Oeste tenha mais opções de modais no escoamento da produção e, assim, torne-se mais competitiva. Hoje, apenas 10% da safra chega ao Porto de Paranaguá por linha férrea.

A previsão é que até 2030 o Porto aumente a sua capacidade de movimentação, passando de 45 milhões de toneladas por ano para 80 toneladas. Sem ferrovia, a única opção do Oeste para chegar à Paranaguá seria por rodovia – uma matriz muito cara.

Além dos integrantes da coordenação do programa e das Câmaras Técnicas, a reunião contou com a presença do diretor-presidente da Coopavel, Dilvo Grolli; do prefeito de Matelândia, Rineu Menoncin (Teixeirinha); e do assistente do diretor-geral brasileiro da Itaipu, Alexandre Teixeira.

PMI

Segundo o presidente do POD, Danilo Vendruscolo, os dois maiores gargalos da região são energia e logística. “Nosso compromisso é solicitar ao Governo do Estado agilidade no processo de uma nova concessão. A estrada precisa ser ampliada e reformada. Parte dela foi construída em 1880”, disse.

O Procedimento de Manifestação de Interesse (PMI) prevê selecionar a empresa interessada em elaborar o estudo de implantação de novos ramais. A previsão é que esse levantamento custe R$ 30 milhões. O valor estimado da obra gira em torno de R$ 10 bilhões, de acordo com dados da Ferroeste. Neste modelo, o valor do diagnóstico não sairia dos cofres públicos. O retorno para o investidor viria com o funcionamento da estrada.

O estudo contemplará o projeto de construção de linhas entre Guarapuava e o Porto de Paranaguá, a revitalização existente e a extensão de um ramal de Cascavel a Dourados, no Mato Grosso do Sul, o tempo de retorno do investimento e avaliações ambientais. “Precisamos buscar alternativas para reduzir os custos dos nossos produtos. Embora essa não seja a única saída, a ampliação da ferrovia já nos ajudaria muito”, defendeu o vice-presidente do Programa, Elias Zydek.

“O Governo do Paraná já aprovou implantação de nova ferrovia. A previsão é que a licitação seja lançada em junho em 2018, mas precisamos que ocorra o quanto antes”, afirmou Vendruscolo.

Outras alternativas

Além da ampliação da Ferroeste, durante a reunião foram apresentadas outras sugestões para melhorar a logística da região. Dilvo Grolli defendeu a construção de uma nova ferrovia. Segundo ele, o custo seria em torno de R$ 12 bilhões.  

Segundo Grolli, o Brasil inverte as matrizes e por isso fica cada vez mais difícil ser competitivo. Nos Estados Unidos, um país com dimensões semelhantes às brasileiras, 61% do transporte de grãos é feito pelas hidrovias, enquanto no Brasil apenas 10% vão de barcaças. Lá, apenas 10% da produção é escoada por rodovias, número bem inferior ao brasileiro: 65%. O transporte férreo é semelhante: 23% dos grãos vão de trem pelos Estados Unidos; no Brasil, 25%.

“Precisamos diminuir o modal rodoviário. Atualmente, 2% da produção regional é gasta com pedágio. Um caminhão com 600 sacas de soja paga R$ 767,20 em pedágio para ir de Foz do Iguaçu à Paranaguá”, disse.

Alexandre Teixeira destacou a importância das hidrovias. Segundo ele, a Itaipu vem negociando com o Paraguai a utilização de barcaças no lago da usina. “Não podemos olhar apenas para o Porto de Paranaguá, mas sim para o nosso país vizinho, que é o segundo no mundo na frota de barcaças.”

Oeste em Desenvolvimento

Lançado em 2014, o Programa Oeste em Desenvolvimento é uma iniciativa que une mais de 60 instituições públicas e privadas, como a Itaipu Binacional, o Parque Tecnológico de Itaipu (PTI), o Sebrae/PR, o Sistema Cooperativo, a Caciopar, a Amop, a Emater e a Fiep, além de instituições de ensino superior.

O programa tem como objetivo promover o desenvolvimento econômico sustentável dos 54 munícipios do Oeste do Paraná por meio de ações integradas e com foco nas potencialidades regionais.

Toda a ação tem como base as sete cadeias produtivas do território, também chamadas de exportadoras, pois recebem recursos e investimentos de outras regiões brasileiras e até do exterior. São elas: cadeia do frango, leite, suíno, pescado, grãos, indústria metalmecânica e turismo.

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