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Pepe Mujica diz que integração é passo obrigatório para a América Latina

O senador e ex-presidente do Uruguai José Alberto Mujica, o Pepe Mujica, disse nesta terça-feira (15), em Foz do Iguaçu (PR), que a integração dos países da América Latina será um passo obrigatório para a região enfrentar a formação de grandes blocos econômicos, como a União Europeia e o Pacto do Pacífico, que reúne gigantes como Estados Unidos, México e Japão.

Segundo ele, “os latino-americanos, quanto mais separados estamos, mais distantes vamos estar de poder equilibrar o que está acontecendo hoje no mundo”. “Os inimigos da integração sobram [no mundo]. E o pior inimigo é não percebermos a nossa própria economia”, disse.

Mujica veio à cidade para proferir a aula magna da Universidade Federal da Integração Latino-Americana (Unila), no Cineteatro dos Barrageiros, dentro do complexo hidrelétrico de Itaipu. Ele falou sobre “Integração e Desafios de Hoje na América Latina”. Antes, concedeu entrevista coletiva a veículos de imprensa do Brasil e do exterior, acompanhado do reitor da Unila, Josué dos Passos Subrinho, e do representante-geral do Mercosul, Florisvaldo Fier, o Dr. Rosinha.

“Sei que no Brasil há uma velha discussão, de que é preciso primeiro integrar internamente. Entendo isso. Mas já não há tempo: a Europa está construindo uma grande nação, mesmo com um histórico de guerras e massacres. Os Estados Unidos, todos conhecemos, assim como a China. E é com esse mundo que vamos ter de negociar”, disse Mujica.

Para o ex-presidente, o Brasil avançou muito na última década, ampliando o relacionamento com os países vizinhos, especialmente por meio do Mercosul, e também com mercados distintos, como o continente africano. No entanto, ele avalia que será preciso superar diferenças para acelerar o processo – a começar por um diálogo mais efetivo entre Brasil e Argentina, as duas maiores forças da região.

“Os desafios que temos são de caráter político, mas nos falta estatura política. É muito discurso, muito banquete, mas não avançamos. Disputamos entre nós e não temos uma política em comum”, criticou, antes de defender a criação de ministérios que promovam a integração regional.

Questionado sobre o atual momento político da América Latina, Mujica disse que existe na história recente um movimento pendular constante – entre direita e esquerda – e que é importante o ser humano saber conviver com vitórias e derrotas. “Aprendi uma coisa: os únicos derrotados na vida são os que não voltam a se levantar. [Porque] o problema não é triunfar, o problema é viver: ser derrotado e seguir vivendo.”

Vida simples

Aos alunos que lotaram o auditório do Cineteatro dos Barrageiros, Mujica explorou um dos lados que o tornaram mais conhecido no mundo: a simplicidade. Ele defendeu que as pessoas devem trabalhar menos e viver mais, de forma mais simples e solidária.

“Você não compra uma coisa com dinheiro, mas com o tempo que você gastou para ganhar dinheiro”, ensinou. “Porém, não se pode comprar anos de vida. Por isso, para mim, o valor mais importante que temos é a vida”, concluiu.

Visita à usina

Após a aula magna no Cineteatro dos Barrageiros, Pepe Mujica e comitiva, acompanhados do diretor-geral brasileiro de Itaipu, Jorge Samek, visitaram a usina hidrelétrica e o Parque Tecnológico Itaipu (PTI).

Nesta quarta-feira (16), pela manhã, o ex-presidente fará um passeio na principal atração turística da região, o Parque Nacional do Iguaçu, que abriga as Cataratas do Iguaçu. À tarde, ele se reunirá com autoridades e lideranças do Brasil, Paraguai e Argentina, para discutir o tema “Estratégias de Desenvolvimento Territorial Sustentável”.

Fonte: Assessoria Itaipu

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