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Temer e Benitez autorizam construção da segunda ponte entre Brasil e Paraguai

A construção de uma segunda ponte para ligar o Brasil e o Paraguai é um pedido antigo. Agora, parece que finalmente haverá uma outra forma de atravessar a fronteira, não sendo através da Ponte Internacional da Amizade, construída há 53 anos.  A obra da segunda ponte será financiada pela Itaipu Binacional. 

O presidente do Brasil, Michel Temer, e do Paraguai, Mario Abdo Benítez, assinam nesta sexta-feira (21), na fronteira entre os dois países, a autorização para a construção de duas pontes financiadas pela Itaipu Binacional. O ato protocolar será no 6º andar do Edifício da Produção, na área industrial da usina hidrelétrica.

Uma das pontes será construída no Rio Paraná, entre o bairro Porto Meira, em Foz do Iguaçu, e o município paraguaio de Puerto Franco, vizinho a Ciudad del Este, onde está localizada a Ponte Internacional da Amizade.

A outra será construída sobre o Rio Paraguai, ligando o município de Porto Murtinho, no Mato Grosso do Sul, a Carmelo Peralta, no Paraguai.

Segunda ponte
A segunda ponte entre Foz do Iguaçu e o Paraguai irá aliviar o trânsito de veículos pesados da Ponte Internacional da Amizade. Inaugurada em 1965, ela é hoje o principal corredor logístico socioeconômico entre Brasil e o Paraguai. Sua localização estratégica desempenha papel fundamental no desenvolvimento da região, impulsionando o comércio exportador e importador. Graças a esta antiga ligação, também, Ciudad del Este tornou-se a terceira maior zona franca do mundo, atrás apenas de Miami e Hong Kong.  Pela ponte circulam carros, caminhões, motos e pedestres. O tráfego está saturado. O fluxo diário de pessoas chega a 39 mil.

Com a ligação a Presidente Franco, a Ponte Internacional da Amizade ficará exclusiva para veículos leves e ônibus de turismo, o que vai dificultar também a entrada de contrabando nos dois lados da fronteira. Além disso, a segunda ponte permitirá a ligação entre a Rodovia das Cataratas e a BR-277 pela Perimetral Leste, por onde também trafegarão os veículos pesados que circulam entre Foz e a Argentina.
A licitação para os projetos básico e executivo dessa ponte já havia sido lançada pelo Dnit, mas foi cancelada em junho deste ano, por falta de recursos.

A Perimetral Leste evitará o tráfego de veículos pesados pelo centro da cidade, hoje um dos maiores problemas de trânsito de Foz do Iguaçu, já que a Avenida Paraná, utilizada hoje para acesso à BR-277, tem relevo considerado irregular, provocando a constante quebra de caminhões, principalmente próximo à Avenida das Cataratas (acesso à Rodovia das Cataratas), e aumentado o risco de acidentes.
Exportação e importação

Antiga reivindicação
A construção da segunda ponte na fronteira entre Foz do Iguaçu e o Paraguai é uma reivindicação antiga. Mas foi a posse do novo presidente do Paraguai, Mario Abdo Martinez, que trouxe novo alento à região. Foi ele quem propôs ao governo brasileiro que a Itaipu Binacional financiasse a construção, tanto da ponte Foz-Presidente Franco como a de Porto Murtinho-Carmelo Peralta, já que não havia recursos disponíveis no orçamento. O presidente Michel Temer deu o aval para o início das negociações.
O presidente Mario Abdo Benítez, em sua visita como presidente eleito ao Brasil, disse ao presidente Michel Temer que “é inaceitável que, com todo o comércio e oportunidades que temos juntos, tenhamos apenas uma ponte”, a da Amizade, construída há 53 anos.

Autorizada

O financiamento das pontes pela Itaipu Binacional foi autorizado por parecer da Advocacia-Geral da União (AGU), assinado no dia 17 de dezembro. Segundo a AGU, “as duas obras fazem parte de acordos internacionais celebrados entre os dois países, mas ainda não foram realizadas em razão de restrições orçamentárias”.

As obras não devem onerar o custo da energia comercializado pela hidrelétrica binacional, pois a tarifa de Itaipu está congelada em dólar e não há previsão de reajuste. O diretor-geral brasileiro de Itaipu, Marcos Stamm, afirma que o financiamento das pontes pela usina “vai desonerar o Tesouro, sem nenhum custo adicional para o consumidor de energia”.

O custo total previsto para essas duas pontes é de US$ 270 milhões, pouco mais de R$ 1 bilhão, investidos ao longo dos próximos dois anos e meio a três anos, prazo também previsto para a conclusão das obras. Pelo que foi acordado entre os dois governos e pela diretoria de Itaipu, a parte paraguaia da usina financiará a construção da ponte no Mato Grosso do Sul e a margem brasileira entrará com recursos para a ponte em Foz do Iguaçu. Agora, os projetos devem ficar a cargo do Departamento Nacional de Infraestrutura (Dnit). Os procedimentos para a construção devem ser iniciados já a partir do ano que vem.

Para Marcos Stamm, “com a construção das pontes, a usina de Itaipu estará investindo em duas importantes obras de infraestrutura, consideradas fundamentais e estruturantes para os países vizinhos, o que virá facilitar o comércio e a segurança na região de fronteira”. Ele lembra que “Itaipu tem um compromisso histórico com a região, principalmente em relação à área alagada”.

Com assessoria

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