Autos e Motos - Roberto Nunes

Testamos: Lançado em abril, T-Cross ainda “não decolou”

Usando a base do Polo e do Virtus, a Volkswagen lançou o SUV compacto T-Cross, que ainda não “decolou” no concorrido segmento no Brasil. Com a opção dos motores 1.0 e 1.4 da família TSI Flex – com turbo -, o T-Cross é mais para quem deseja um hatch e menos para quem pretende ter um carro espaçoso com porta-malas como um sedã.

O conceito de SUV tem sido amplamente mudado para modelos crossovers no mercado nacional. A Volkswagen segue a receita das marcas rivais – Hyundai, Nissan, Renault e Ford – para chegar forte no segmento de SUV´s compactos dominado hoje pelo Jeep Renegade, modelo que ainda preserva o DNA de utilitário no País. O jornalista testou por 15 dias a versão Comfortline do T-Cross com motor 1.0 TSI de três cilindros, 128 cavalos de potência e 20,4 kgfm de torque, auxiliado pela transmissão automática de seis velocidades.

O preço de R$ 99.990 é bem salgado, porém é o cobrado também pela concorrência, a exemplo do Hyundai Creta. Em situação urbana, o motorzinho da VW é grandioso e entrega bem boas aceleradas e tem desempenho surpreendente  para empurrar os 1.252 kg do carro – sem o peso, vamos lá, de dois ocupantes adultos – cerca de 150 kg a mais.

Lançado em abril no Brasil, ainda há poucas unidades do T-Cross circulando em Salvador. O impacto do lançamento ainda não surtiu “efeito visual” e, literalmente, de vendas com modelos rodando no trânsito da capital baiana, por exemplo. O T-Cross é um veículo com design moderno, atrativos de tecnologia embarcada com um multimídia moderno e pacote recheado de equipamentos, especialmente nesta configuração Comfortline.

Nem precisa ir muito longe e nem sair de uma revenda Volkswagen para perceber que há modelos que entregam mais ao consumidor. O Jetta 1.4 TSI – com 150 cavalos – sai hoje no valor de um T-Cross 1.0 TSI Comfortline – com 128 cavalos. O sedã Jetta da Volks é maior, mais moderno e mais imponente. Mesmo assim, a marca alemã tem planos ousados com o T-Cross. Esta configuração testada é bem equipada e traz um perfil mais light. O acabamento do painel exibe plásticos excessivos e rígidos ao ser comparado, por exemplo, com o Ford EcoSport Titanium 1.5 Dragon, de três cilindros, avaliado também pelo jornalista. A Volkswagen inclui itens como ar-condicionado digital, ajuste de lombar para o banco do motorista, câmera de ré, indicador de pressão dos pneus, rodas de liga leve de 17 polegadas, manopla do câmbio revestida de couro, frenagem pós-colisão e sensores dianteiros de estacionamento.

A central multimídia com tela de 8 polegadas é ponto forte na Volkswagen, que deixa o T-Cross conectado ao mundo digital com comando de voz e entrada USB no console central. O modelo traz também seletor de modo de condução, espelhos retrovisores eletricamente rebatíveis, acesso sem chave e botão de partida. De fábrica, o T-Cross já vem equipado com seis airbags e os controles de tração e estabilidade.

Há mimos gratuitos e outros pagos na maioria dos carros ofertados no mercado. No caso da Volkswagen, o pacote de tecnologia está em versões como a Comfortline. Porém, é pago para quem deseja o modelo de entrada. Entre os opcionais, é possível encontrar o assistente de estacionamento, item inédito neste segmento de compactos, que sai no pacote opcional  Premium por R$ 6.050. Vem com Park Assist 3.0, faróis full-LED e sistema de som projetado pela Beats com subwoofer. Já o Pacote Sky View II (R$ 4.800) garante o desejado teto solar panorâmico e inclui sensor de chuva, acendimento automático dos faróis, além do retrovisor interno eletrocrômico.

Na prática, o carro assim justifica e muito para quem olha ao lado o Polo ou o Virtus no showroom. Mas nem olhe muito para o Jetta, já que você pode ficar na dúvida. Usando como parâmetro o porta-malas dos rivais, o compartimento de carga do T-Cross acomoda 373 litros. É bem maior ao ser comparado com o líder Renegade (320 litros) e com o porta-malas apertado do EcoSport (356 litros). Perde no espaço de concorrentes como o Creta (431 litros) e o HR-V (437 litros). A VW criou um sistema que amplia o compartimento para 420 litros. Mas o recurso faz com que o encosto da segunda fileira de bancos fique mais vertical. Já o Jetta tem bons 510 litros no porta-malas.

O T-Cross com seu motor moderno 1.0 TSI flex, de 128 cavalos, anda bem e não faz feio na cidade e na estrada. Mas, é bem verdade que “transpira” uma sensação de um carro mais urbano. Quem deseja um utilitário tem optado pelo Jeep Renegade e pelo Hyundai Creta. Para quem pretende um crossover, é bom fazer um test drive em modelos similares como o Nissan Kicks, Honda HR-V e, também, no novo Ford EcoSport sem o estepe pendurado na tampa do porta-malas. Na frigideira de SUV´s e crossovers, a Volkswagen vai ter que saber vender bem os ingredientes do T-Cross para quem deseja estacionar um carro deste segmento na garagem de casa.

Deixe uma resposta