Entrevistas

Câncer: um solitário aprendizado pela vida, com Maria Olívia Samek

Homenagem no 2º Jantar Rosa em Foz do Iguaçu

 

Ao celebrarmos a batalha contra o câncer de mama neste mês de outubro, trazemos uma história de vida repleta de descobertas e vitórias.

Aos 48 anos , Maria Olívia tinha uma vida como milhares de outras mulheres ao redor do planeta; filhos crescidos, bons amigos e planos de envelhecer bem. O mapa imaginário traçado logo foi interrompido pela confirmação de um câncer de mama. 

Maria identificou o câncer em novembro de 2002, data onde tudo em sua vida ganharia novo rumo. A primeira impressão ao encarar o resultado dos exames que apontaram a existência da doença foi a mesma: mas por que eu? A pergunta, era frequente em sua cabeça, mesmo quando venceu a batalha pela primeira vez, e o câncer reapareceu seis anos depois. “O primeiro impacto, depois vem o choque de realidade, de que não há saída e que é preciso enfrentar sozinha”. Para ela, a doença trouxe pela primeira vez uma necessidade do isolamento e da solidão, como um recolhimento. “É uma dor solitária. Por mais que as pessoas estejam do seu lado, é você que está com uma sentença de morte. É uma dor somente de quem tem”, explica.

O longo processo de quimio e radioterapias, além de tratamentos paralelos podem durar anos e requer de cada paciente, uma dose extra de crença, paciência e fé.  Mesmo após ter concluído os tratamentos, a necessidade de ingestão de medicamentos faz-se necessária por períodos que variam a partir de cinco anos. 

Aos 53 anos, Maria Olívia que já passou pela experiência duas vezes e hoje está em tratamento tem muito a ensinar. Ao longo do processo, ela optou por se afastar de alguns conhecidos deixando somente os mais íntimos por perto e resolveu conhecer de perto crianças que passavam pelo mesmo drama. “Com o tempo, aquela pergunta de “por que eu” foi sendo superada. Acompanhei casos de recém-nascidos. A doença não escolhe classe, cor, nível social, idade”. A experiencia foi dolorosa, mas trouxe de volta muito entendimento; “foi desta experiência que defini como meta de vida a cura do câncer infantil. Fiz adoção de uma criança com câncer em parceria”e foi além, colaborando na articulação junto a deputados e senadores pela Lei 11.650/2008 que instituiu o Dia Nacional de Combate ao Câncer Infantil. Além disso,  ainda dedica-se  na obtenção de recursos para a compra de equipamentos e materiais que auxiliam na identificação da doença e no seu tratamento. “Esta é minha meta de vida”. 

 

A vontade de ajudar e transformar o sofrimento pessoal numa etapa de conhecimento e aceitação trouxe consigo um novo jeito de encarar a vida. “A família é importante, mas, os amigos são especiais. Hoje, eu sei que devo a vida a eles. Me fizeram sobreviver”, relembra. 

Mesmo ainda na caminhada – são doze comprimidos por dia por mais dois anos – ela acredita e trabalha para uma recuperação diária. “O sentimento é de coragem, muita vontade de viver! Persistência, garra. Se a pessoa não lutar com unhas e dentes, não sobrevive. Acredito que a vontade de viver é mais forte do que as medicações para superar o câncer”, ensina. 

Numa luta constante de superação a maior lição deixada é de viver o presente. “A doença me tornou uma pessoa com um olhar diferente para a vida, com vontade de sempre fazer o melhor que posso para todos, com um propósito maior. O que sempre me embalou foi a vontade de mudar o mundo”.  Aos olhos de quem aprendeu a ter gana pela vida, viver o hoje, é quase como um poema.

Campanha Outubro Rosa

A Campanha Outubro Rosa foi criada com o intuito de alertar as mulheres sobre a importância do auto-exame e da mamografia. Em todo país, prédios particulares e instituições públicas são iluminados com luzes cor de rosa para exaltar o pedido de prevenção ao câncer que mais mata mulheres ao redor do mundo. 

Em Foz do Iguaçu a mobilização para a campanha teve início no primeiro sábado do mês no Poliambulatório Nossa Senhora Aparecida em parceria com a Secretaria de Saúde e apoio da Uniamérica, ofertando ações voltadas à saúde da mulher. 

Além do câncer de mama, as atenções também foram voltadas ao câncer de colo de útero, detectado através do exame de papanicolau. Outros exames como testes rápidos de HIV/AIDS, Sífilis, Hepatite B e C, exame de glicemia e atendimento clínicos também foram realizados. Na ação também foram colocados 35 DIUs gratuitamente. 

A meta para o mês é de realizar 1,6 mil mamografias, de acordo com a Secretaria de Saúde.  

Cuidados

A campanha salientou a informação de que mulheres a partir dos 40 anos devem realizar a mamografia uma vez por ano. Em caso de antecedentes na família (mãe, irmã, tia, avó), o exame pode ser feito antes – a partir dos 35 anos. 

Mulheres mais jovens também correm o risco de ter a doença, mesmo sem histórico na família.

 

Reportagem: Daniela Valiente

Fotos: Caio Coronel/Itaipu Binacional

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